Ronald Araújo abordou sem rodeios os problemas que o afastaram dos relvados e como tem ultrapassado a situação
Após algum tempo afastado da competição, Ronald Araújo, central do Barcelona, falou numa entrevista ao Mundo Deportivo sobre os problemas de saúde mental com que teve de lidar e como o staff do emblema espanhol o ajudou em todo o processo.
«Foi um acumular de situações. Já não me sentia bem há bastante tempo, talvez há mais de um ano e meio que não estava bem. Tentamos ser fortes, talvez pelas raízes que temos, pelo sítio de onde vimos, tentamos seguir em frente, mas eu sentia que não estava bem. Já não me sentia eu próprio e foi nesse momento que percebi que algo se passava, que precisava de pedir ajuda. Sou daqueles que guarda tudo para si, mas também é importante perceber que existem profissionais que podem ajudar-nos, dar-nos ferramentas para saber lidar com certas situações», começou por dizer.
O jogador de 26 anos realizou 78 minutos na vitória diante do Albacete recentemente. Apesar de já ter realizado alguns jogos na temporada, esta foi a primeira vez, desde novembro frente ao Chelsea, que o uruguaio jogou mais do que 20 minutos.
«A verdade é que é muito bom. Senti-me muito confortável. Acho que joguei um bom jogo. Também consegui ajudar a alcançar o objetivo e foi muito bom para mim. Fisicamente, também me senti forte. No final, obviamente cansado, porque já não jogava tantos minutos há muito tempo, mas no geral estou muito, muito feliz», confessou
«Mudou muito porque aprendi muito nesse tempo. Acho que foi isso que tive que fazer depois daquela decisão que tomei. Sinto-me diferente e fico feliz com isso, porque estou mais confortável, mais feliz. Posso aproveitar o que gosto de fazer, que é jogar futebol e isso ajuda muito», acrescentou.
No processo de recuperação, Ronald Araújo falou sobre a ajuda de Deco e como o ex-internacional português lidou com a situação.
«Primeiro conversei com o Deco porque ele é o diretor desportivo. Contei-lhe o que estava a acontecer. Inicialmente, ele ficou um pouco surpreendido, porque não é muito comum um jogador do Barcelona falar sobre essas coisas, mas ele lidou muito bem, de uma forma muito pessoal. Desde o primeiro minuto, o Deco falou com o presidente e o treinador. Foram espetaculares. Sou muito grato ao Deco, ao presidente, ao treinador, também às pessoas que estão lá dentro e que talvez não possam ser vistas, mas que fazem parte do nosso dia a dia. Eles foram muito importantes. Desde o primeiro momento eles entenderam e o clube deu-me tudo o que eu precisava para recuperar. Isso também se baseia na confiança que eles têm em mim como jogador», referiu antes de falar do treinador.
«Ele [Hansi Flick] levou muito para o lado pessoal. Ficou triste com a situação. O Flick conhece as condições que enfrento e ficou claro que eu não estava a jogar no máximo das minhas capacidades. Ele sabia que algo estava errado. Desde o início ele mandou-me mensagens a dizer-me para recuperar com calma, que o mais importante era que eu superasse o que estava a acontecer. Isso dá-te paz para recuperar, porque sabes que tens o apoio do clube, do treinador e dos teus companheiros de equipa», acrescentou.
Ao serviço da formação orientada pelo técnico alemão, o central uruguaio de 26 anos soma 195 jogos, 13 golos e sete assistências.