MGT-I2. Novo satélite vai permitir seguir fenómenos meteorológicos extremos na Europa "como uma transmissão em direto"

Agencia EFE , MFP
19 ago, 20:20
Planeta
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Novo satélite produzirá imagens meteorológicas da Europa a cada 2,5 minutos e fará mapeamentos 4D da atmosfera, oferecendo um nível de detalhe sem precedentes

Os fenómenos meteorológicos extremos são cada vez mais frequentes e, para estarmos preparados, são necessárias previsões cada vez mais frequentes, rápidas e precisas. Esse é o objetivo da família de satélites europeus Meteosat de terceira geração, que ficará completa na próxima semana com o lançamento do MTG-I2.

O satélite será lançado, segundo as previsões, no dia 27, a partir do porto espacial europeu em Kourou (Guiana Francesa), com uma janela de lançamento entre as 21:10 e as 23:40, a bordo de um foguetão Ariane 6, que, pela primeira vez, colocará uma carga em órbita geoestacionária, a uma altitude de cerca de 36 mil quilómetros.

"Está tudo pronto" e "estamos preparados para o lançamento", afirmou esta quarta-feira, numa conferência de imprensa destinada a apresentar os últimos detalhes dos preparativos, o responsável pelo projeto MTG da Agência Espacial Europeia (ESA), James Champion.

O MTG-I2 encerra a família Meteosat de Terceira Geração (MTG), com dois satélites já em órbita, o MTG-I1 e o MTG-S1, concebida para gerar dados e imagens destinados à previsão meteorológica e à monitorização climática na Europa e no norte de África, com um nível de detalhe sem precedentes.

O novo satélite produzirá imagens meteorológicas da Europa a cada 2,5 minutos e fará mapeamentos 4D da atmosfera, o que reforçará significativamente as capacidades de previsão a curto prazo e de alerta precoce perante fenómenos extremos.

Esses fenómenos meteorológicos são cada vez mais frequentes e, além das perdas de vidas humanas, representaram perdas económicas para a União Europeia de 882 mil milhões de euros entre 1980 e 2024.

A responsável pelo sistema MTG na Organização Europeia para a Exploração de Satélites Meteorológicos (Eumetsat), Susanne Dieterle, recordou que o passado mês de junho foi o mais quente na Europa Ocidental e que as temperaturas muito elevadas provocam rapidamente secas e incêndios.

O MTG-I2 está preparado para realizar varrimentos rápidos que permitam acompanhar fenómenos de desenvolvimento rápido que, atualmente, são difíceis de observar, como as nuvens de tempestade, os focos de incêndios florestais ou as colunas de fumo vulcânico.

Esta geração de satélites, que disponibiliza mais dados, de maior qualidade e com maior frequência, foi concebida para fornecer alertas mais precoces que protejam vidas e bens dos efeitos mais graves de fenómenos meteorológicos como os raios, os ventos fortes, as chuvas torrenciais e as cheias repentinas. Permite também observar os incêndios florestais.

O novo membro da família MTG transporta a bordo dois instrumentos: um gerador de imagens (Flexible Combined Imager) e um detetor de raios (Lightning Imager).

O primeiro fornece imagens dos sistemas meteorológicos que evoluem rapidamente e pode ser utilizado para emitir avisos atempados. É capaz de fazer o varrimento de todo o disco terrestre em apenas dez minutos e pode fazer o varrimento da Europa e do norte de África a cada 2,5 minutos.

Esta capacidade junta-se à dos dois satélites MTG já em órbita, que fornecem imagens de alta resolução de todo o disco terrestre a cada dez minutos.

O Lightning Imager apresenta capacidades completamente novas para os satélites meteorológicos europeus, ao permitir acompanhar continuamente os raios a partir de uma órbita geoestacionária, o que lhe permite fazer a leitura de mais de 80% da superfície terrestre a partir desse ponto de observação.

O responsável científico pelos dados espaciais do Serviço Meteorológico do Reino Unido (Met Office), Thomas Blackmore, destacou que o MTG-I2 representa "um avanço realmente importante para a vigilância meteorológica em toda a Europa", sobretudo devido à sua capacidade de análise rápida.

Para os meteorologistas, o MTG-I2 é "um pouco como passar de ter uma série de fotografias instantâneas para ter algo muito mais parecido com uma transmissão de vídeo em direto a partir do espaço".

Dispor de informação a cada dois minutos e meio fornece indícios "muito mais precoces de onde podem estar a formar-se tempestades severas e permite-nos acompanhar a sua evolução quase em tempo real", o que faz "uma grande diferença no conhecimento da situação e nas previsões a muito curto prazo".

Na prática, afirmou Blackmore, melhora-se o conhecimento da situação, o que permite tomar decisões com maior antecedência e confiança na monitorização e no alerta para fenómenos meteorológicos que possam ter um grande impacto.

Champion, por sua vez, destacou que este novo satélite não teria sido possível sem um consórcio europeu de mais de 70 empresas de 17 países europeus e do Canadá, com a Thales Alenia Space como contratante principal, no qual participaram empresas espanholas como a Airbus Espanha, a Alter, a GMV, a INVENTIA Kinetics ou a LiDAX.

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