Técnico do São João de Ver fez uma detalhada análise tática à derrota diante do Famalicão na Taça de Portugal
Declarações de Pedro Lomba, treinador do São João de Ver, após a derrota diante do Famalicão (0-3), em jogo da terceira eliminatória da Taça de Portugal.
Análise ao jogo e as dinâmicas táticas do encontro
«Pedimos aos jogadores para sermos competitivos, competirmos. E acho que competimos e bem. Fomos muito competentes naquilo que foi a abordagem ao jogo. Fizemos uma primeira parte competente, em que temos aquela situação que é o golo anulado (Famalicão), que poderia ser o único lance que iríamos permitir o ganho de um duelo ou uma ação dentro da nossa área. Fomos competentes nesse sentido e tivemos algumas situações, aliás, temos uma transição que estávamos quatro para dois e decidimos mal.»
«Na segunda parte, o Famalicão entra muito forte. E percebemos logo, mas não deu muito tempo para ajustar, mas percebemos logo que deram ali duplas larguras. Isto falando também das dinâmicas, deram duplas larguras, subindo os laterais com um médio a dar dupla largura, e metem o extremo por dentro, que estava a dar largura total. E cria-nos ali uma dificuldade em que demorou a chegar a mensagem. E isto também é o jogo do gato e do rato. E do outro lado, além de muita qualidade, também existe muita competência. Não conseguimos ajustar. E depois, mesmo sendo desmontados ali no corredor lateral, acabámos por realmente conseguir ter o equilíbrio dentro da área. Mas aí perdemos o duelo individual no primeiro golo e depois também no segundo golo. Isto é o que há para trazer do jogo. Depois com a expulsão, tentámos equilibrar, mas havia sempre um jogador livre.»
A abordagem tática do São João de Ver
«Nós normalmente jogámos num 3-5-2, num sistema que é um bocadinho híbrido, porque, quando atacamos, variámos muitas vezes numa construção a dois, num 3+2 ou num 3+1, dependendo do adversário. Muitas vezes criámos um 9 e metemos um médio entre as linhas e jogámos um dos dois avançados entre as linhas e jogámos com a dupla largura dada pelos alas e depois formámos 3+1, muitas vezes construímos 3+2 e mais 2. Quando defendemos a pressão ao pontapé da baliza do adversário, que foi aí que se calhar sentiu alguma alteração estratégica, normalmente defendemos a dois, saltámos a dois e dividimos com os alas, mas percebemos logo na análise que se fizéssemos isso, iríamos ficar três para três atrás, com dois alas rapidíssimos e de muita qualidade. Dos dois avançados (Elisor ou Aboubakar) que fossem jogar, sabíamos que seriam muito fortes naquela bola que fosse ligada. E depois percebemos que o guarda-redes tinha muita qualidade em colocar bem essa bola e ia-nos deixar ali de homem para homem, com tanta qualidade do outro lado, saberíamos que isso ia ser a morte do artista. O que fizemos foi pegar na nossa linha de cinco, usar o ala esquerdo e transformar num 4x3x3 a defender.»
«Então, hoje, o 3-5-2 basicamente só existiu, ou o 5-3-2, se quiser dizer, enquanto tivemos em primeira, segunda, terceira fase defensiva, onde juntámos bem um bloco, onde tentámos durante a semana se manter bloco a 40 metros, 30-40 metros, sempre junto, onde defendemos em 5-3-2, e onde sempre que os laterais estivessem em baixo, quem fazia a cobertura seriam os nossos médios, para não desmontarmos a linha de cinco, porque sabíamos que tínhamos de ter coberturas para a qualidade do outro lado.»