Em causa uma pen drive apreendida
Uma pen drive apreendida na operação Influencer no cofre do chefe de gabinete do então primeiro-ministro António Costa, em São Bento, continha centenas de dados pessoais de inspetores da Polícia Judiciária e agentes do SIS e SIED, conforme revela a revista Sábado - e a CNN Portugal apurou que Vítor Escária, visado na busca, diz que aquela informação, além de ser do tempo do seu antecessor, Francisco André, chegou por via anónima e foi colocada no cofre apenas por cautela.
Terá garantido Vitor Escária, alvo de buscas e detido em novembro de 2023 no âmbito do processo Influencer, em que se investigam crimes de tráfico de influência e corrupção, nunca ter feito uso daqueles dados que constam na pen - e que podem estar classificados como segredo de Estado -; e que sabia apenas da sua existência pelo antecessor, que depositou a pen no cofre mal a recebeu por via anónima.
Uma explicação que pode não colher para o Ministério Público - que extraiu uma certidão para investigação autónoma e catalogou a pen apreendida como “item 19”.
Em declarações à CNN Portugal, a defesa de António Costa afirma que "em momento algum foi o seu constituinte confrontado com a existência desta alegada pen ou com o seu conteúdo, desconhecendo em absoluto do que se trata, pelo que nenhum comentário adicional fará".
A Operação Influencer levou no dia 07 de novembro de 2023 às detenções do chefe de gabinete de António Costa, Vítor Escária, do advogado e consultor Diogo Lacerda Machado, dos administradores da empresa Start Campus Afonso Salema e Rui Oliveira Neves, e do presidente da Câmara de Sines, Nuno Mascarenhas. São ainda arguidos o ex-ministro das Infraestruturas João Galamba, o ex-presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, Nuno Lacasta, o advogado João Tiago Silveira e a Start Campus.
O processo foi entretanto separado em três inquéritos, relacionados com a construção de um centro de dados na zona industrial e logística de Sines pela sociedade Start Campus, a exploração de lítio em Montalegre e de Boticas (ambos distrito de Vila Real), e a produção de energia a partir de hidrogénio em Sines.
O antigo primeiro-ministro, António Costa, que surgiu associado a este caso, foi alvo da abertura de um inquérito no MP junto do Supremo Tribunal de Justiça, situação que o levou a pedir a demissão do cargo. Com a saída do cargo e a consequente perda de foro especial para investigação, o processo relativo ao ex-governante desceu ao DCIAP.