UE e EUA mostram vontade de se unirem no comércio face à China e Rússia

Agência Lusa , CV
16 mai, 23:48
Chips na União Europeia (foto: Christian Lue/Unsplash)

Os EUA e a UE desejam coordenar ações numa série de domínios que vão desde os semicondutores à luta contra a desinformação, incluindo o controlo das exportações de produtos estratégicos para a Rússia.

A União Europeia (UE) e os Estados Unidos (EUA) aproveitaram novas conversações comerciais informais esta segunda-feira em Saclay, perto de Paris, para mostrar a sua vontade de se unirem face à China e à Rússia.

Responsáveis da administração norte-americana e da UE, reunidos no âmbito do Conselho do Comércio e Tecnologia (TTC), sublinharam o seu desejo de coordenar ações numa série de domínios que vão desde os semicondutores à luta contra a desinformação, incluindo o controlo das exportações de produtos estratégicos para a Rússia.

Os EUA e a UE pretendem, em particular, ter "intercâmbios mais abrangentes de informações sobre exportações de tecnologias críticas americanas e europeias, focando-se primeiro na Rússia e noutros países que procuram escapar às sanções internacionais", de acordo com um documento sumário dado à imprensa.

No que diz respeito aos semicondutores, de que carecem muitas indústrias, como a automóvel, será necessário trocar informações sobre possíveis tensões de mercado para evitar escassez e estrangulamentos.

No que diz respeito à desinformação, as duas partes querem preparar um novo "quadro de cooperação" sobre a "integridade da informação durante as crises, especialmente nas plataformas da Internet".

"Podemos fazer mais em conjunto para combater falsas explicações" sobre a subida dos preços dos produtos alimentares, disse a comissária da UE, Margrethe Vestager, na conferência de imprensa final.

"A verdade é que toneladas e toneladas de cereais não podem sair da Ucrânia por causa da invasão russa", insistiu.

Durante a parte aberta à imprensa dos debates, a representante norte-americana para o comércio, Katherine Tai, reconheceu que a "globalização 1.0", que via a liberalização do comércio "quase como um fim em si mesma", pode já ter tido o seu momento.

Esta liberalização comercial trouxe, como esperado, "paz" e "prosperidade", mas, depois da pandemia e da guerra lançada pela Rússia, talvez seja necessário olhar para "como podemos usar os nossos instrumentos de política comercial" para "servir objetivos de resiliência e sustentabilidade" e ver "que tipo de parâmetros e salvaguardas precisamos de implementar no sistema económico internacional", disse.

A próxima reunião do TTC está marcada para o final de 2022 nos Estados Unidos, de acordo com o comunicado conjunto divulgado no final da reunião.

Entre os temas abordados estão também a regulação da inteligência artificial, os contratos públicos, a resiliência da internet e das infraestruturas numéricas, ou a luta contra o trabalho forçado ou infantil.

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