Há saldos: 6 conselhos para poupar, 3 para não se deixar enganar (e a inflação?)

23 jun, 08:00
Chegaram os saldos de verão (Pexels)

Como tornar esta época do ano "o melhor negócio que pode fazer"

Começou oficialmente esta quinta-feira a época dos saldos de verão em várias lojas do país. É certo que, em teoria, os saldos significam poupança, mas o que acontece muitas vezes é chegar-se a casa com o triplo dos sacos que se esperava trazer e uma carteira vazia - e, assim, o que seria uma estratégia de poupança acaba por sair mais caro no final do dia.

Ana Bravo, especialista em economia doméstica e autora do livro ABC da Poupança, garante que fazer compras nos saldos é o melhor negócio que se pode fazer, desde que haja preparação e organização.

1. Fazer uma lista. A primeira dica para se poupar nos saldos é criar uma lista onde se possa anotar ao longo do tempo tudo aquilo de que se precisa. "Eu tenho uma lista no telemóvel dividida em três rubricas - coisas para mim, coisas para o meu marido e coisas para a casa - e sempre que sinto necessidade de alguma coisa que não tenha urgência em comprar anoto na lista. Assim, quando chega a altura sei exatamente o que preciso de comprar", explica, dando ênfase à palavra preciso, sendo esta a palavra-chave para não se gastar mais do que o necessário.

2. Investir em peças de qualidade. Pode parecer um contrassenso mas, na verdade, esta é uma "excelente" forma de poupar, garante a especialista. Isto porque, por vezes, em saldos caímos no erro de comprar muita quantidade de peças com pouca qualidade, mas o que se deve fazer é precisamente o contrário. "Imaginemos que vamos comprar 10 camisolas por €10. Parece um bom negócio, mas aquelas camisolas têm uma qualidade péssima e provavelmente no ano seguinte vamos precisar de comprar outras. Não faz sentido. Então mais vale investir num artigo com alguma qualidade, aproveitando os saldos para isso mesmo", indica Ana Bravo.

3. Comprar peças que não sejam da época. De acordo com Ana Bravo, "comprar peças que não são da época é como conseguimos fazer os melhores negócios", apontando como exemplo os biquínis. "Se comprar biquínis no inverno faço negócios extraordinários", diz, e o mesmo se aplica a roupa de inverno comprada no verão.

4. Comprar em outlets. Juntar a época dos saldos e outlets é, para a especialista, a junção ideal. "Parece Natal", afirma entre risos, lembrando depois que os outlets também estão disponíveis online, uma boa opção para quem não tem outlets na proximidade. "Normalmente online ainda se conseguem melhores resultados."

5. Optar por lojas em segunda mão. Apesar de serem lojas em segunda mão, estes estabelecimentos também fazem saldos e vale a pena optar por fazer compras nestas lojas, onde muitas vezes se encontram peças novas, ainda com etiqueta, como já aconteceu com Ana Bravo. Além de se fazerem "bons negócios a um preço ridículo", a especialista lembra que comprar em lojas de segunda mão tem também o benefício de proteger o meio ambiente através da reutilização têxtil.

6. Esperar pelo final dos saldos. Esta é altura em que os saldos já se encontram no seu "limite de desconto máximo" e pode ser a altura ideal para fazer as suas compras caso não tenha nenhuma urgência ou receio de ficar sem um determinado artigo que já tinha em mente. 

Os conselhos da DECO para não se deixar enganar

Com a loucura dos saldos é fácil cair na tentação sem se dar atenção aos detalhes. Muitas vezes é isso que leva a situações menos agradáveis, como uma troca ou devolução recusada ou pagar por um artigo um valor que afinal não lhe estava atribuído. Ana Plácido, jurista da DECO, explica o que deve fazer para não se deixar enganar nesta época de saldos. 

1. A etiqueta. Olhe com atenção para a etiqueta do artigo que deseja comprar, isto porque as etiquetas devem incluir o valor antes e depois da redução do preço e não apenas o desconto aplicado. "Isto é fundamental porque vai permitir que a pessoa perceba se o que está a comprar tem efetivamente uma redução do preço."

2. O pagamento. É importante ter atenção ao meio de pagamento que a loja disponibiliza aos clientes, uma vez que algumas lojas argumentam que durante o período de saldos não são permitidos determinados meios de pagamento mas "isso legalmente não é possível"

3. Trocar, devolver. A política de troca e devoluções da loja é também uma das questões a que os consumidores devem estar particularmente atentos, uma vez que “a lei não prevê a obrigatoriedade de o comerciante proceder à troca de um bem”. Ou seja, se comprar uma peça de roupa e quiser trocá-la ou devolvê-la, “a loja não está obrigada a aceitar a troca”. Em contrapartida, se o artigo que comprou tiver algum defeito, aí sim a loja é obrigada a proceder à sua troca. Em relação às compras online em particular, nestes casos já existe a “possibilidade de livre resolução no prazo de 14 dias” a contar desde a data em que recebeu o(s) artigo(s). “Se comprar algo à distância, seja vestuário ou até uma viagem, posso depois invocar durante os primeiros 14 dias o direito à livre resolução sem necessidade de fundamento legal para resolver o contrato e solicitar o reembolso”, explica a jurista, lembrando o artigo 10 do decreto-lei n.º 95/2006.

Saldos VS. inflação

Para muitos, esta é a altura de comprar finalmente o artigo que há tanto era namorado nas montras; para outros, esta é a oportunidade de descobrir produtos, seja uma peça de roupa, um eletrodoméstico ou até uma viagem com preços em conta. Mas neste contexto económico marcado pelo aumento generalizado dos preços em vários sectores, desde logo nos custos de produção, é natural que questione se realmente vai conseguir poupar nestes saldos. 

Depois de dois anos de restrições nas lojas físicas, o sector do retalho já regista este ano números "acima de 2019", dependendo de centro comercial para centro comercial - nos que estão mais próximos de escritórios verifica-se "uma retoma mais lenta", enquanto os que estão localizados em zonas residenciais "já estão com números acima de 2019".

Quem o diz é o diretor-executivo da Associação Portuguesa de Centros Comerciais (APCC), que garante que "a retoma neste sector já aconteceu", talvez pela força do impacto do turismo, que, de acordo com o responsável, representa já cerca de 13% do comércio nos centros comerciais. Por isso, os centros comerciais "ainda não estão a sentir o impacto da inflação", afirma, quando questionado sobre o impacto do aumento dos preços nestes saldos. "Pode haver lojistas que já estejam a sentir o aumento dos custos de produção, por exemplo, mas não temos esses dados", acrescenta Rodrigo Moita de Deus.

As reduções dos preços praticadas neste saldos não devem ser, por isso, diferentes das anteriores e em alguns casos os descontos podem ir até -60%, como é o caso das lojas MO. Embora reconheça que o contexto atual "obriga as marcas a ajustarem alguns preços", incluindo a MO, o chefe comercial da marca de vestuário refere que, no caso da MO, "há um posicionamento a manter", salientando que "os preços na MO são acessíveis e competitivos ao longo do ano".

"Nos saldos temos estrategicamente apostado em começar com descontos bastante atrativos, selecionando uma gama abrangente e com boas oportunidades para os nossos clientes", acrescenta Marco Teixeira, em resposta à CNN Portugal.

Por sua vez, as lojas Salsa, que avançam com descontos até -50%, vão apostar “nos mesmos ingredientes de sempre: a qualidade, a oferta e o atendimento”. Em resposta à CNN Portugal, João Martins, diretor executivo da Salsa Jeans, diz esperar “uma adesão forte, como normalmente acontece”. “São alturas em que os portugueses aproveitam para investir em peças de qualidade, intemporais, que vão ter no armário durante alguns anos com a garantia de qualidade Salsa.”

Apesar de tudo o resto se manter, este ano os lojistas estão a apostar numa "maior integração" entre as lojas físicas e o digital, indica o responsável da APCC. Uma tendência que se verificou, desde logo, no lançamento dos saldos, com algumas marcas a fazer o lançamento em primeiro lugar nas aplicações da respetiva loja já esta quarta-feira e só depois na loja física.

"A tendência é que os lojistas estão cada vez mais à procura de formas de otimizar o online com os próprios espaços físicos. Um exemplo prático disso mesmo é quando faz uma compra online mas a troca tem de ser feita no espaço físico", refere Rodrigo Moita de Deus.

O diretor executivo da Salsa Jeans diz mesmo que "a venda online veio para ficar", especialmente durante a época de saldos ou de campanhas promocionais. "Acredito que, ainda que sem restrições, as lojas físicas não terão o tráfego pré-pandemia. Não será a corrida em massa aos espaços comerciais que conhecemos. Será, de certa forma, uma adesão repartida, mas efetivamente o cliente tende a migrar para o meio digital", salienta.

O diretor comercial da MO também admite que "as compras online vieram para ficar mas não com os mesmos números da pandemia". "Os nossos clientes procuram muito online, mas concretizam mais a sua compras em loja física. Aliás, é um comportamento ainda maioritário. Nós temos mais de 100 lojas espalhadas por todo o pais, estamos próximos e acessíveis, o que permite ao cliente optar pelo canal que lhe seja mais natural."

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