Salários subiram… mas desceram. Saiba quanto ganham (agora) os portugueses

CNN
12 mai, 11:27

Remuneração bruta mensal subiu no primeiro trimestre para 1.258 euros. Mas inflação foi superior e baixou os salários em 2% em termos reais.

“A remuneração bruta mensal média por trabalhador aumentou 2,2% para 1.258 euros no primeiro trimestre de 2022”, mas, em termos reais, “diminuiu 2%”.

Assim arranca o comunicado divulgado pelo INE esta quarta-feira de manhã, sobre a evolução dos rendimentos dos portugueses.

Em causa está a confrontação entre aumentos nominais de salários e evolução real dos rendimentos, isto é, descontando a inflação. E a inflação cresceu mais do que os rendimentos, pelo que, em média, os portugueses perderam poder de compra nos primeiros três meses deste ano.

Se o rendimento médio dos trabalhadores portugueses foi de 1.258 euros no primeiro trimestre deste ano, subindo 2,2%, a componente regular foi de 1.127 euros, mais 1,7%. Já o salário base (bruto), subiu 1,6%, atingindo os 1.058 euros mensais.“Em termos reais”, ou seja, considerando a inflação, “a remuneração bruta total média diminuiu 2,0% e tanto a regular como a base diminuíram 2,5%”, escreve o INE.

Estes resultados abrangem 4,3 milhões de postos de trabalho em Portugal, correspondentes a beneficiários da Segurança Social e a subscritores da Caixa Geral de Aposentações.

Quem ganhou mais e quem ganhou menos

A comparação do INE é feita entre março de 2022 e março de 2021. Nesse período, “os maiores aumentos da remuneração total foram observados nas Atividades Imobiliárias”, com crescimentos médios de 6,4%; nas empresas mais pequenas, com entre um e quatro trabalhadores, com subidas médias de 6,2%; no setor privado, com aumentos de 3%; e nas empresas de serviços de alta tecnologia com forte intensidade de conhecimento, com variações de 5,5%.

Já nas perdas, o INE elenca variações negativas nas atividades de eletricidade, gás, vapor, água quente e fria e ar frio (-16,3%); nas empresas de 500 ou mais trabalhadores (-0,6%) e nas empresas de Alta tecnologia industrial (-0,5%).

Afinal, quanto ganham os portugueses?

O INE usa três indicadores diferentes: 

A remuneração bruta total mensal média por trabalhador aumentou, que aumentou 2,2% passando de 1.231 euros em março de 2021 para 1.258 euros um ano depois, inclui todas as componentes remuneratórias.

Já a remuneração bruta regular mensal média exclui componentes salariais como os subsídios de férias e de Natal. “Em março de 2022, aumentou 1,7% em relação ao período homólogo de 2021, passando de 1.108 Euros para 1.127 Euros.

A remuneração bruta base mensal média por trabalhador é o “salário base”, em termos brutos, e aumentou 1,6%, passando de 1.041 euros em março de 2021 para 1.058 euros em março de 2022.

Como detalha o próprio INE, “a remuneração bruta mensal média total, regular e base (...) apenas consideram as remunerações sujeitas a tributação, ou seja, sujeitas a retenção de IRS na fonte e de desconto para a SS ou para a CGA. Deste modo, estão excluídos montantes como, por exemplo, o subsídio de refeição até ao valor de 4,77 euros ou 7,63 euros, se pago em dinheiro ou cartão de refeição.”

Salários subiram mais no privado que no Estado

Já os trabalhadores das Administrações Públicas tiveram “um acréscimo homólogo de 0,8% na remuneração total, que atingiu 1.667 euros em março de 2022 (1.655 euros em março de 2021)”, escreve o INE.

Neste caso, a componente regular aumentou 1,0%, de 1.571 Euros para 1.586 euros, e a remuneração base registou um aumento de 1,1%, passando de 1 483 euros para 1.500 euros”.

No setor privado, “as remunerações aumentaram de forma mais expressiva”. A remuneração total subiu 3%, passando de 1.139 euros em março de 2021 para 1.173 euros um ano depois; a  a componente regular aumentou 2,4%, de 1.007 Euros para 1.031 euros; e a remuneração base aumentou 2,2%, passando de 945 euros para 966 euros.

“As diferenças nos níveis remuneratórios médios entre o setor das AP e o setor privado refletem, entre outras, diferenças no tipo de trabalho realizado e nas qualificações dos trabalhadores que os integram”, analisa o comunicado. “Com efeito, verifica-se que os trabalhadores do setor das AP têm, em média, níveis de escolaridade mais elevados”.

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