Estar desempregado nunca é bom, mas em Portugal é pior. Vai demorar mais tempo a recuperar o emprego e o salário que tinha

9 nov, 07:01
IEFP

Ao fim de cinco anos no desemprego, os portugueses continuam com rendimentos cerca de 25% inferiores aos registados antes de perderem o trabalho. Dificuldade na reentrada no mercado justifica o desempenho, segundo um estudo NBER

Enfrentar uma situação de desemprego é bastante diferente no Sul ou no Norte da Europa. E mesmo entre os países destas regiões, há diferenças. Em Portugal, por exemplo, demora mais tempo a reentrar-se no mercado de trabalho o que, por sua vez, leva a que se atinja, mais tarde, o nível de rendimento que se tinha antes da situação de desemprego.

As conclusões fazem parte de um estudo do National Bureau of Economic Research (NBER), já noticiado pelo Jornal de Negócios, que conclui mesmo que passar pelo desemprego em Portugal chega a custar mais três vezes que nos países do Norte.

Na prática, cinco anos após o desemprego, os trabalhadores portugueses continuam com rendimentos inferiores em cerca de 25% aos que auferiam antes de perderem o posto de trabalho, conclui o estudo. Os dados referentes a Portugal cobrem o período entre 1987 e 2018 e mostram que, ao fim de um ano, os portugueses vêm uma redução nos seus rendimentos na ordem dos 45%, uma diferença que desce para pouco menos de 30% ao fim de três anos, e persiste nos 25% ao fim de cinco.

Um cenário bem diferente ao vivido no resto da Europa.

Os trabalhadores dos países escandinavos são os que registam as perdas mais baixas de rendimento. Cinco anos após a perda de emprego, os rendimentos dos trabalhadores escandinavos (como a Dinamarca ou a Suécia) são cerca de 10% inferiores ao verificado antes da perda do posto de trabalho. Já nos países no sul da Europa (Itália, Portugal e Espanha) esta redução é, em média, de cerca de 30%.

Para explicar este fenómeno é preciso olhar para outro fator: o tempo. Ou melhor, a velocidade com que os trabalhadores regressam ao mercado de trabalho depois de caírem no desemprego.

No grupo dos países do sul da Europa, 20% dos trabalhadores ainda não regressaram ao ativo ao fim de cinco anos no desemprego, como tal, têm sete vezes menos probabilidades de serem contratados face aos trabalhadores na Suécia, Dinamarca e França, ou metade face à Áustria.

As políticas ativas de emprego também influenciam as perdas salariais sentidas, sendo que um aumento de 10 pontos percentuais no valor gasto com estas medidas resulta numa redução de 5% das perdas salariais. Em Portugal, dentro do grupo dos trabalhadores que conseguem voltar ao mercado de trabalho, a passagem para uma empresa que paga menos justifica 95% das perdas salariais.

O estudo "O custo desigual da perda de emprego entre os países" investigou um grupo de sete países, nomeadamente, Dinamarca, Suécia, Áustria, França, Portugal, Itália e Espanha. Foram considerados os trabalhadores com menos de 50 anos e com pelo menos três anos de casa, além de empresas com 50, ou mais, funcionários.

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