Empresas querem aumentar salários em 2023. E há um valor de referência (mas não é bom)

15 set, 05:01
Škoda com nova linha de produção de baterias

O cenário de incerteza, com a escalada da inflação, deixa as empresas mais cautelosas quanto a reforços nas equipas. Para os que já lá trabalham, estuda-se um aumento médio de 2,8%. Mas a inflação será fator-chave para determinar quanto subirão os salários

As empresas têm intenção de aumentar os salários, em média, 2,8% no próximo ano. O valor é revelado pelo estudo “Total Compensation” da Mercer, que analisou 527 empresas no mercado português.

O aumento de 2,8% é superior aos 2,3% que foram perspetivados para 2022. Ainda assim, trata-se de um valor insuficiente para acompanhar a subida da inflação, que se aproxima dos 9%, segundo os últimos dados disponíveis.

As empresas estão, por isso, expectantes para perceber como vai evoluir o contexto económico. Segundo a pesquisa, praticamente metade considera a inflação como um indicador para definir aumentos salariais. “A inflação é um fator considerado neste contexto por 49% das empresas”, indica.

O estudo concretiza que, de 2021 para 2022, houve uma média de crescimento de 5% nos salários, alavancada pela subida do salário mínimo nas funções operacionais. O desempenho, o posicionamento na grelha salarial e os resultados das empresas são os fatores mais relevantes na hora de avaliar a atribuição de um aumento salarial.

Se para 2022, 3% das empresas tinham intenção de congelar os salários dos funcionários, no próximo ano a previsão sobe para os 9%.

Reforçar equipas? Empresas estão cautelosas

Mas a palavra de ordem continua a ser "cautela": se 43% das empresas admitiam a intenção de aumentar o número de trabalhadores em 2022, essa percentagem reduz-se para 31% no próximo ano.

Quanto a reter profissionais, mais de metade (53%) assume ter dificuldades. As áreas mais críticas são a Engenharia, as Tecnologias da Informação, Vendas e Marketing, segundo o estudo.

Daí que, para a captação de funcionários, sejam cada vez mais relevantes outro tipo de apoios e benefícios. Segundo o estudo da Mercer, o apoio à formação é uma realidade em 57% das empresas. Já o bónus de referência, por indicar um nome para uma vaga em aberto, faz parte das práticas de 35% das empresas.

Mais de sete em cada 10 empresas têm também planos médicos, uma política automóvel (disponibilizando viatura ou um subsídio para este custo) e seguros de vida como benefícios.

Para Tiago Borges, porta-voz da Mercer Portugal, “apesar de se observar um aumento [salarial para 2023], este é insuficiente para acompanhar a escalada da inflação, podendo traduzir-se numa perda de poder de compra para os colaboradores”.

“No cenário de consolidação das taxas de inflação em níveis elevados, o tema dos incrementos salariais e da sua capacidade de responder a este contexto será certamente um desafio a enfrentar pelas empresas em Portugal no curto prazo”, acrescenta.

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