Despesa anual de uma família composta por três pessoas aumentou 2.705 euros nos últimos dez anos

2 jan, 07:58
Laranjas (AP Photo/Armando Franca)

REVISTA DE IMPRENSA. A inflação média de 2022 ficou em 7,8%, devendo descer para 4% este ano. Se assim for, teremos um valor acumulado de quase 18% ao longo da década

Os salários reais vão valer menos em 2023 do que em 2014. Com base nas contas e simulações feitas pelo Jornal de Notícias (JN), uma família composta por dois adultos e um dependente terá de gastar anualmente, já este ano, mais 2.7035 euros para comprar exatamente os mesmos produtos e serviços que entravam no seu orçamento em 2014. A inflação média de 2022 ficou em 7,8%, devendo descer para 4% este ano. Se assim for, teremos um valor acumulado de quase 18% ao longo da década. 

Aqui existem dois grandes problemas: primeiro, os produtos e serviços não recuam para os valores anteriores aos aumentos; segundo, os salários das famílias portuguesas não acompanham esta espiral inflacionista. Por isso, a crise atual pode atingir de forma insanável os rendimentos. 

"A perda de poder de compra é permanente, dado que a inflação funciona como um imposto. Se o índice de preço é de 10% e o nosso rendimento só aumenta 5%, temos uma perda de 5%. Deixamos de conseguir comprar exatamente o mesmo com o mesmo dinheiro. O efeito é permanente", explicou ao JN Nuno Rico, economista da Deco Proteste. 

Com base em dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), entre 2014 e 2023, os gastos com alimentação deverão subir 22% no espaço de dez anos. Embora o setor público possa vir a registar um aumento nominal superior a 13% nesta década, tendo em conta uma atualização prevista de 5,1% este ano, a verdade é que haverá  uma perda de 3,9% por via da inflação. Já no setor privado, espera-se uma subida das remunerações de 3,60% em 2023, o que daria um ganho acumulado de 15%. No entanto, devido à inflação, deverá verificar-se uma perda real de 2%. 

"A tendência de os preços não voltarem para trás só é invertida quando há uma crise. Em 2011-13, houve uma quebra de rendimentos e os vendedores acabaram por reduzir as margens, baixando os preços de venda devido à menor procura. Na realidade, a inflação baixa de entre 2014 e 2021 deveu-se ao acomodar dos efeitos da crise de 2011-13", afirmou Nuno Rico. 

Entre 2014 e 2023, o custo dos produtos alimentares e bebidas vai registar o maior aumento (+22%). Seguindo-se os transportes públicos (+15%), bens e serviços diversos (+11%) e as despesas com habitação, água, gás, eletricidade e combustíveis (+10%). 

Dinheiro

Mais Dinheiro

Patrocinados