“As instituições funcionaram, há suspeitas, a aplicação das regras de direito vai ser impecável e, se alguma coisa houve de errado, apurar-se-á”, afirmou ministra da Administração Interna
A ministra da Administração Interna considerou hoje que as instituições funcionaram na operação “Safra Justa”, que resultou na detenção de 10 militares da GNR e um elemento da PSP, e que nenhuma polícia está livre de situações semelhantes.
“As instituições funcionaram, há suspeitas, a aplicação das regras de direito vai ser impecável e, se alguma coisa houve de errado, apurar-se-á”, afirmou Maria Lúcia Amaral, em declarações aos jornalistas no parlamento, à margem da sessão evocativa do 25 de Novembro de 1975.
A Polícia Judiciária (PJ) anunciou hoje ter realizado a operação "Safra Justa", que permitiu desmantelar uma organização criminosa de auxílio à imigração ilegal que controlava centenas de trabalhadores estrangeiros, a maioria em situação irregular em Portugal.
A operação resultou em 17 pessoas detidas, das quais 10 militares da GNR, um elemento da PSP e seis civis.
Questionada sobre a detenção dos elementos da GNR e da PSP, o ministra da Administração Interna limitou-se a afirmar que “infelizmente, não há policia nenhuma no mundo que esteja livre de acontecerem estas coisas”.
A Lusa questionou o Ministério da Administração Interna se seria ordenada a abertura de um inquérito por parte da Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI), sem resposta até ao momento.
Já a IGAI, disse apenas estar a “recolher informações sobre a factualidade noticiada, bem como sobre os respetivos suspeitos”, numa resposta à Lusa.
No total, segundo a PJ, foi dado cumprimento a cerca de 50 de mandados de busca e 17 mandados de detenção, não só em Beja, mas também em Portalegre, Figueira da Foz e Porto.
Fonte policial contactada pela Lusa indicou que os 10 militares da GNR detidos pertencem ao Comando Territorial de Beja da GNR.
Quanto ao agente da PSP detido, "prestava serviço no Comando Distrital de Beja", mas "não estava atualmente a trabalhar", revelou fonte da Polícia.
Contactada pela Lusa, fonte da Direção Nacional da Polícia de Segurança Pública (PSP) explicou que o elemento "estava de baixa desde setembro de 2024".
Em comunicado publicado na página de Internet do DCIAP, o Ministério Público (MP) disse que os 17 detidos são suspeitos de se terem aproveitado da fragilidade das vítimas para "retirarem avultadas vantagens económicas".
Os factos investigados, de acordo com o MP, são suscetíveis de integrar a prática dos crimes de auxílio à imigração ilegal, de tráfico de pessoas, de corrupção ativa e passiva e de abuso de poder.
Já a PJ, igualmente no comunicado, referiu que estão em investigação crimes de auxílio à imigração ilegal, falsificação, fraude fiscal e branqueamento de capitais.
Os detidos deverão começar a ser presentes, na quarta-feira, no Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), em Lisboa.