Pá do motor fez corte no avião em que um passageiro acabou parcialmente sugado pela janela

CNN , JS
14 ago, 14:38
(Foto: Conselho Nacional de Segurança nos Transportes)
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Segundo o relatório preliminar, a janela terá sido danificada por uma pá do ventilador do motor da aeronave que soltou-se e embateu na lateral da cabina de passageiros

Uma pá do ventilador do motor a jato de um Boeing 737 soltou-se e embateu na lateral da cabina de passageiros, partindo uma janela e fazendo com que um homem fosse parcialmente sugado para fora da aeronave, informou o Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB, na sigla em inglês) num relatório preliminar divulgado na quinta-feira.

O voo da Ryanair com destino a Memmingen, na Alemanha, que partiu a 10 de julho, tinha descolado menos de 10 minutos antes e foi obrigado a regressar a Salónica, na Grécia, para uma aterragem de emergência.

A cabeça e os ombros de Ljubisa Karovic, de 61 anos, que ocupava o lugar 11F, foram sugados para fora da janela, causando ferimentos graves, disse a sua esposa à Reuters. Ela e a comissária de bordo puxaram-no de volta para o interior do avião, afirmou.

Sete minutos e meio após a descolagem, os pilotos receberam um aviso de vibrações elevadas nos motores, de acordo com o relatório. Quase dois minutos depois, as vibrações aumentaram significativamente e os pilotos "ouviram um estrondo alto" quando o piloto automático se desativou.

Uma fotografia com anotações do NTSB mostra os danos na lateral do avião, incluindo a janela que falta (Foto: Conselho Nacional de Segurança nos Transportes)

"A inspeção do avião revelou que o motor n.º 2, um modelo CFM56-7B26 da CFM International, sofreu a separação de uma pá do ventilador, o que resultou no impacto de fragmentos do motor na fuselagem e no estabilizador horizontal direito", refere o relatório.

O motor CFM-56, fabricado por uma joint venture entre a francesa Safran Aircraft Engines e a GE Aerospace, é um dos mais utilizados na aviação.

Os estilhaços perfuraram o metal em torno do motor, estilhaçando a janela da fila 11, deixando uma amolgadela no avião perto da fila 8 e perfurando a fuselagem por baixo da asa, além de arranhar e amolgar a cauda, afirmou a NTSB.

Foram encontradas evidências de fissuras por fadiga — a fratura gradual do metal devido a tensões repetidas superiores às que seriam de esperar para o número de voos — nos restos da pá que se partiu, afirmou a NTSB. Outras oito pás apresentavam deformações na borda de ataque.

Foram também recuperados restos de aves, incluindo penas, no motor danificado, mas não ficou claro quando foi a última vez que o avião colidiu com aves. Foram comunicados quatro casos suspeitos de colisão com aves no ano anterior ao incidente, mas não foram encontrados danos nessas ocasiões.

As pás do ventilador do avião tinham sido inspecionadas pela última vez menos de três semanas antes, devido a uma regra implementada na sequência de um incidente semelhante. Em 2018, uma pá do ventilador de um Boeing 737 da Southwest Airlines partiu-se, estilhaçando uma janela e sugando a cabeça e o tronco de uma mulher para fora do avião. A mulher veio a falecer posteriormente devido a traumatismo contuso.

A NTSB irá liderar a investigação

No voo da Ryanair, o Boeing 737-8AS, com 18 anos de idade, voava a cerca de 16 000 pés no espaço aéreo grego quando a janela se partiu.

A Autoridade Helénica de Investigação de Segurança Aérea e Ferroviária solicitou à NTSB que liderasse a investigação, tal como permitido pelas normas internacionais. A Grécia participará na qualidade de "representante acreditado", de acordo com a NTSB.

O relatório da NTSB, que referiu a fissura por fadiga e indicou que o passageiro ficou "parcialmente preso numa janela danificada da cabina" e que "outros passageiros… conseguiram puxar o passageiro ferido de volta para o interior da cabina", contraria as alegações feitas pelo CEO da Ryanair, Michael O’Leary, numa teleconferência sobre os resultados financeiros realizada em julho.

"Algumas das notícias mais sensacionalistas referiam que um passageiro estava meio fora da janela, com a cabeça para fora. Ninguém estava fora de nenhuma janela", afirmou O’Leary. "As primeiras indicações sugerem que se trata de danos causados por um objeto estranho no motor durante a descolagem de Tessalónica".

A NTSB repreendeu-o por ter comentado a investigação enquanto esta ainda está em curso, numa carta da presidente Jennifer Homendy.

"A NTSB está atualmente a investigar esse acidente e, por conseguinte, os representantes acreditados e os seus consultores técnicos estão proibidos de fazer quaisquer comentários sobre a causa potencial do incidente ou de divulgar quaisquer informações relacionadas com a investigação", afirmou Homendy na carta. "As declarações públicas do Sr. O’Leary violam (as regras internacionais), uma vez que apresentam uma opinião e uma análise do acidente e sugerem possíveis áreas de interesse na investigação em curso".

As investigações da NTSB demoram normalmente entre um e dois anos a concluir-se e terminam com um relatório final que determina a causa provável e quaisquer fatores que tenham contribuído para o acidente.

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