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“Adorávamos comprar a TAP, mas não nos iriam deixar”, diz CEO da Ryanair

1 fev 2023, 12:40
Michael O'Leary, CEO da Ryanair

Líder da Ryanair, Michael O'Leary, diz ao ECO que o melhor acordo que o Governo conseguirá para a TAP é com o Grupo IAG e classifica o bónus milionário à CEO da TAP como "demasiado alto"

O presidente-executivo da Ryanair assume que “adorava” comprar a TAP, embora note que a companhia aérea portuguesa “não vale nada”. Em entrevista ao ECO, Michael O’Leary diz que o melhor acordo que o Governo português pode conseguir para vender a companhia é com o Grupo IAG, sob o compromisso de este fazer aumentar o tráfego da empresa em 50% nos próximos cinco anos. O gestor considera ainda “demasiado alto” o bónus de dois milhões de euros que a CEO da TAP vai receber quando completar o plano de restruturação.

“Eu adorava comprar a TAP, mas não nos iriam deixar. (…) O problema é que estamos bloqueados, porque somos a maior companhia aérea em Portugal e a TAP é a segunda. E, se tentarmos juntar as duas companhias, teremos os alemães, os franceses e os britânicos a dizer que não podemos fazer isso e que estávamos a fazer um monopólio“, argumenta Michael O’Leary, concluindo que não pode comprar a TAP “por questões regulatórias”.

Se pudesse comprar a TAP, o gestor adianta que as primeiras coisas que faria na empresa seriam “reduzir os custos e aumentar o número de voos”. “Mas não faz sentido pensar nisto porque não iríamos ser autorizados a comprar a TAP”, ressalva, em entrevista ao ECO, esta quarta-feira.

A TAP não é uma companhia aérea bem gerida. (…) É uma pequena companhia aérea que se está a tornar ainda mais pequena", Michael O'Leary, CEO da Ryanair.

Apesar de estar disposto a essa compra, o CEO da companhia low-cost afirma, contudo, que “a TAP não vale nada”. “Só sobrevive porque recebeu 3,2 mil milhões do Governo, que têm de ser devolvidos. E não vai conseguir”. “A TAP não é uma companhia aérea bem gerida. E se olharmos para os números da crise existencial que atravessou nos últimos dez ou 20 anos, vemos que é uma pequena companhia aérea que se está a tornar ainda mais pequena“.

Questionado sobre quanto estaria disposto a pagar pela TAP, se pudesse, Michael O’Leary responde que “o ponto não é por quanto o Governo vende a TAP, mas sim se o Governo consegue encontrar um parceiro para a TAP”.

Grupo IAG seria “o melhor comprador para a TAP”

Assim, para o CEO da Ryanair, a melhor opção para a TAP seria ser comprada pelo Grupo IAG, que detém a British Airways e a Iberia. “Acreditamos que o melhor comprador para a TAP seria o Grupo IAG. Se pegarmos nos três melhores grupos aéreos na Europa — Lufthansa, Air France-KLM e Grupo IAG –, o Grupo IAG é o melhor. Tem experiência em comprar e fazer crescer outras empresas“, explica.

“O Governo português deve fazer um acordo com o Grupo IAG para comprar a TAP, mas com a condição de o Grupo IAG se comprometer a aumentar o tráfego da TAP em 50% nos próximos cinco anos“, defende Michael O’Leary. “Uma das coisas que o Grupo IAG tem é o enorme compromisso com aumento do tráfego aéreo da América Central para a Europa. Fazem isso muito bem em Madrid e iriam fazer o mesmo com a TAP”.

[Grupo IAG comprar a TAP] seria a melhor maneira de os contribuintes portugueses no futuro evitarem ser burlados em 3,2 mil milhões de euros", Michael O'Leary, Presidente-executivo da Ryanair.

O gestor diz que Portugal tem uma “obsessão” de “não ser detido pelos espanhóis”, mas que o Grupo IAG comprar a TAP “seria a melhor maneira de os contribuintes portugueses no futuro evitarem ser burlados em 3,2 mil milhões de euros“.

O’Leary insiste que a TAP “não vai sobreviver na nova Europa”, porque “não pode competir com a Ryanair”. Logo, o melhor acordo será com o Grupo IAG. Com isso, o Governo português “terá o melhor de dois mundos — uma TAP bem gerida, um forte acionista e conseguirá beneficiar do compromisso de aumento do tráfego” aéreo para Portugal.

Ryanair já pediu reunião com Galamba

A Ryanair já pediu uma reunião com o novo ministro das Infraestruturas, João Galamba, e espera conhecê-lo “nas próximas semanas”. “Gostávamos de ver alguma ação numa série de problemas relacionados com Portugal”, nomeadamente as taxas aeroportuárias e a decisão do aeroporto do Montijo. “Parem de perder tempo com experiências de aeroportos a 100km de Lisboa”, diz.

O CEO da companhia irlandesa continua a insistir que a TAP tem estado a bloquear slots no aeroporto de Lisboa e que, por isso, a Ryanair não consegue crescer na capital. “Se não estão a utilizar os slots, pelo menos dêm-nos temporariamente à Ryanair. Espero que o novo ministro faça isso, não tem nada a perder. Se conseguirmos ter mais slots na Portela ou no Montijo vamos ver um enorme crescimento no tráfego aéreo em Portugal”.

Nem sabia que ela [Christine Ourmières-Widener] ia receber um bónus. Esse bónus depende do quê? Trazer a TAP de volta aos lucros ou vender a TAP? [Dois milhões] parece-me ser demasiado alto", Michael O'Leary, CEO da Ryanair.

Em entrevista ao ECO, Michael O’Leary falou ainda do polémico bónus de dois milhões de euros que a CEO da TAP, Christine Ourmières-Widener, vai receber quando completar o plano de restruturação da companhia. “Nem sabia que ela ia receber um bónus. Esse bónus depende do quê? Trazer a TAP de volta aos lucros ou vender a TAP? Parece-me ser demasiado alto“, nota.

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