Companhia aérea anunciou mudanças na atribuição de lugares para passageiros que viajam com crianças após investigação da autoridade da concorrência do Reino Unido
A Ryanair anunciou esta quinta-feira alterações à sua política de lugares para famílias, numa decisão que surge poucas semanas depois de ter sido alvo de uma investigação por cobrar aos pais para viajarem sentados ao lado dos filhos menores.
A partir de agora, os passageiros que viajem com crianças e optem por não reservar lugares pagos passarão a receber automaticamente lugares atribuídos sem custos adicionais. A atribuição será feita após o processo de check-in.
Segundo a companhia aérea irlandesa, as famílias que escolham esta opção gratuita deverão, na maioria dos casos, ficar "acomodadas na parte traseira da cabine", uma vez que os lugares das filas dianteiras e outras zonas mais procuradas costumam ser reservados antecipadamente por passageiros que pagam pela seleção do assento.
Os clientes que pretendam escolher previamente onde se sentar continuarão a poder fazê-lo mediante o pagamento da respetiva taxa de reserva.
O diretor executivo da Ryanair, Michel O’Leary, mostrou-se, no entanto, crítico em relação à intervenção regulatória que levou à alteração das regras: "Relutantemente, adaptar-nos-emos a este padrão do setor, pois não queremos perder tempo a explicar a reguladores mal orientados o quão mal compreendem o que é do melhor interesse dos consumidores do Reino Unido e da Europa."
O responsável sublinhou ainda que, com o novo modelo, as famílias poderão ter de esperar até ao check-in para conhecer o seu lugar e terão maior probabilidade de ficar sentadas na parte de trás do avião.
A mudança surge enquanto decorre uma investigação da Autoridade da Concorrência e dos Mercados do Reino Unido (CMA), iniciada este mês, que procura determinar se a política anteriormente aplicada pela Ryanair violava as regras de proteção dos consumidores.
A companhia sempre rejeitou as acusações, classificando a investigação como injustificada. A Ryanair defende que nunca cobrou diretamente para que uma criança viajasse ao lado de um adulto acompanhante e argumenta que apenas exigia o pagamento de um lugar reservado por parte de um dos adultos da reserva, permitindo depois selecionar gratuitamente lugares contíguos para até quatro crianças.
Apesar do anúncio das alterações, a CMA esclareceu que o processo continua em curso.
"O facto de a Ryanair afirmar que a sua nova política cumpre a lei será analisado em detalhe. Se assim for, trata-se de uma vitória para as famílias, que deixarão de ter de pagar para viajar ao lado dos filhos", afirmou o regulador britânico em comunicado.
A associação de defesa do consumidor Which?, que apresentou a queixa inicial às autoridades, já saudou a decisão da companhia aérea, mas considerou que a mudança deveria ter acontecido sem necessidade de intervenção regulatória. A Which? garantiu ainda que irá acompanhar a aplicação prática das novas regras para verificar se os pais passam efetivamente a ser colocados junto dos filhos sem custos adicionais.
