Magnata no exílio quer que a população russa avance com ações de sabotagem contra o Kremlin. E tem um plano

CNN Portugal , HCL
5 set, 19:13
Mikhail Khodorkovsky

Mikhail Khodorkovsky, que chegou a ser o homem mais rico da Rússia antes de ser preso durante dez anos, apelou aos cidadãos russos que criem uma "resistência armada"

Mikhail Khodorkovsky, russo magnata do petróleo no exílio, apelou aos russos ainda dentro do país que lancem uma onda de "sabotagem" contra as estruturas do Kremlin, com o objetivo de bloquear a invasão de Vladimir Putin na Ucrânia e desestabilizar o seu governo.

Khodorkovsky, que passou uma década na prisão entre 2003 e 2013 e vive agora em Londres, sublinhou ao jornal The Guardian que a invasão de Putin tinha alterado completamente a agenda da oposição política russa e afirmou que a "resistência armada" pode vir a desempenhar um papel no futuro. "Precisamos de explicar às pessoas o que podem fazer, persuadi-las sobre essa necessidade,", disse o opositor russo, que se prepara para lançar um livro de memórias e de análise ao governo de Putin chamado "O Enigma da Rússia".

O homem que em tempos foi o mais rico da Rússia garantiu que estas ações contra o Kremlin devem depender da tolerância de cada pessoa ao risco e podem ir desde a pintura de grafitis antiguerra nas ruas até à sabotagem de entregas ferroviárias ligadas à guerra ou incendiar escritórios do exército.

"Mas somos muito claramente contra métodos terroristas que prejudicam pessoas desarmadas", disse, criticando o assassinato de Darya Dugina, filha de um ideólogo imperialista russo, no mês passado.

Em março, Nina dos Santos, da CNN Internacional, falou com Mikhail Khodorkovsky, numa entrevista em que o antigo magnata caracterizava Putin como "o inimigo da humanidade".

Khodorkovsky tornou-se o empresário mais rico da Rússia através da sua presidência da companhia petrolífera Yukos. No livro, que será publicado esta semana, Khodorkovsky descreve os seus primeiros encontros com Putin, que o deixou convencido de que o novo presidente russo era um aliado ideológico. "A sua técnica é olhar para si e espelhar o que está a dizer. É um camaleão que deixa todos a pensar que está do seu lado", escreve.

Recordando esses tempos, admite ter lido completamente mal Putin. "Eu não estava suficientemente preparado para perceber quem ele era. Ele tem aquela habilidade profissional do KGB de se adaptar ao seu interlocutor, mas também tem um talento pessoal para isso... Na altura, não se sentia estável na sua posição e não queria criar inimigos”.

Em 2003, Khodorkovsky foi preso sob acusações amplamente consideradas políticas, depois de ter criticado publicamente a corrupção governamental durante uma reunião com Putin e prometer financiar os partidos da oposição. A sua prisão foi vista como um dos primeiros marcos no aperto gradual à oposição de Putin nas últimas duas décadas.

Khodorkovsky disse que a decisão de Putin de lançar uma invasão total da Ucrânia o tinha chocado de novo e mudou completamente a sua opinião sobre a melhor forma de se opor ao regime. "Claro que [a invasão] foi um momento absolutamente fundamental. As minhas impressões e sentimentos antes e depois de 24 de fevereiro são completamente diferentes", disse, salientando que todos os seus quatro avós eram ucranianos ou viveram no país durante algum tempo. 

Por causa das opiniões contra a estratégia de Putin na Ucrânia, Khodorkovsky admite ter desfeito algumas amizades de longa data, incluindo amigos que o apoiaram ao longo dos seus vários anos de prisão. "Imaginem, conhecem pessoas desde os seus sete anos de idade e agora ambos têm quase 60 e não conseguem falar com elas."

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