Putin nega repressão política e "esclarece" caso Navalny

Agência Lusa , NM
23 dez 2021, 23:36
Vladimir Putin, presidente da Rússia
Vladimir Putin, presidente da Rússia

Presidente russo questionou o envenenamento do principal opositor político do regime, lembrando que "não há uma única prova”

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O presidente russo negou esta quinta-feira a existência de repressão na Rússia, defendendo que as prisões de opositores, que aumentaram significativamente em 2021, não se destinam a amordaçar os detratores, mas sim a conter a influência estrangeira.

“Lembro o que os nossos adversários dizem há séculos: ‘a Rússia não pode ser derrotada, só pode ser destruída por dentro’”, afirmou Vladimir Putin, sublinhando que foi esse raciocínio que provocou a queda da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), há 30 anos.

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Ao longo de 2021, a imprensa, organizações não-governamentais, jornalistas, advogados e ativistas foram alvo de diversos processos judiciais e de detenções.

O ano começou com a prisão de Alexei Navalny, principal adversário político de Putin, após regressar a Moscovo vindo da Alemanha, onde foi tratado depois de ter sido envenenado quando regressava de uma deslocação à Sibéria, o que atribuiu ao Kremlin. 

Depois, o Fundo de Combate à Corrupção (FBK), movimento que fundou, foi proibido por “extremismo”.

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Esta quinta-feira, na tradicional conferência de imprensa anual, e referindo-se à condenação do seu crítico num caso de fraude, considerado fabricado pela oposição, Putin disse uma vez mais que Navalny é um “criminoso”.

“Condenados, sempre houve. Não devemos cometer crimes”, disse Putin, que voltou a negar qualquer envolvimento do Kremlin no envenenamento de Navalny, pedindo para que se “vire a página” no assunto, uma vez que “não há provas”.

“Enviámos vários pedidos do Ministério Público russo para se entregar provas para confirmar que houve, de facto, envenenamento. E nada. Não há uma única prova”, garantiu Putin.

E os especialistas?

O presidente russo acrescentou que Moscovo também propôs o envio de especialistas para colaborar no esclarecimento do caso, que levou à imposição de sanções ocidentais.

“Eu próprio propus ao presidente da França [Emmanuel Macron] e à [antiga] chanceler da Alemanha [Angela Merkel] que deixassem os nossos especialistas irem colher amostras”, disse Putin, salientando que, dessa forma, Moscovo teria base legal para abrir um processo criminal ao “suposto” envenenamento.

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“E nada. Zero”, insistiu.

Na conferência de imprensa, Putin foi também questionado sobre os assassínios do opositor Boris Nemtsov (2015) e da jornalista Anna Politkovskaya (2006).

“Fiz tudo para esclarecer esses assassínios. As respetivas ordens foram dadas. Várias pessoas foram presas por esses crimes”, respondeu Putin, reconhecendo, no entanto, existirem opiniões de que as pessoas que cumprem penas “não são os mandantes” desses crimes.

“A investigação ainda não sabe. Tudo foi feito para localizar os responsáveis”, afirmou.

Ao terminar a conferência de imprensa anual – que instituiu desde 2001 – Putin agradeceu a “Ded Moroz” (o avô Gelo, o “Pai Natal” russo), por o ter ajudado a tornar-se Presidente, pedindo-lhe para realizar os planos da Rússia.

O “Ded Moroz” é uma figura barbuda, muito parecida com o Pai Natal, que distribui presentes às crianças na véspera de Ano Novo, sendo auxiliado pela sua neta, Snégourotchka, a Donzela da Neve.

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