Os clubes russos e a seleção nacional do país estão proibidos de participar em competições internacionais desde que Vladimir Putin ordenou a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022
A UEFA pagou mais de dez milhões de euros a clubes russos após a invasão da Ucrânia, revela uma investigação do The Guardian, divulgada nesta sexta-feira. Estes clubes receberam fundos de "solidariedade" da UEFA por terem sido proibidos de participar em competições internacionais na sequência da guerra, ou seja, desde fevereiro de 2022.
Segundo o The Guardian, os valores em causa vão para lá de 10,8 milhões de euros, montante que, por sua vez, não chegou a cinco clubes ucranianos, alegadamente por estarem localizados numa “zona de operações militares”.
Em concreto, a UEFA pagou fundos de solidariedade no valor de 3.305.000 euros à associação russa de futebol na época 2022-23, tendo esse valor aumentado na temporada seguinte para 3.381.000 euros. Na última época, os fundos ascenderam a 4.224.000 euros. Além disso, na temporada em que a guerra começou (2021/22), houve um pagamento de 6.209.000 euros à federação russa de futebol, que é obrigada a transferir o dinheiro para os clubes.
Cinco clubes ucranianos estão agora a tentar reivindicar o direito de aceder a tais fundos, tendo escrito uma carta ao presidente da UEFA, Aleksander Čeferin, no passado dia 27 de julho, onde demonstram o descontentamento perante o que dizem ser uma “situação extraordinária” na qual os seus pagamentos de “solidariedade” para as épocas 2023/24 e 2024/25 foram retidos.
São eles o Chornomorets e o Real Pharma, ambos de Odessa; o IFC Metalurg, de Zaporizhzhia; o FSC Phoenix Mariupol, desta cidade portuária ocupada; e o FC Metalist 1925, de Kharkiv.
“Em resultado da nossa comunicação com a associação nacional e com os funcionários da UEFA, fomos informados de que o obstáculo aos pagamentos acima referidos são alguns requisitos pouco claros de um banco na Suíça, que alegadamente estão relacionados com a localização geográfica dos clubes de futebol na ‘zona de guerra’”, escreveram os clubes, citados pelo The Guardian.
Os clubes ucranianos não compreendem o real motivo que justifique esta ausência de pagamento. A referência feita à “zona de operações militares” não é clara aos olhos dos dirigentes e afirmam que não corresponde à realidade.
"A zona de operações militares, ou melhor, a zona de agressão militar da Rússia, não é uma região específica do nosso país, mas sim toda a Ucrânia”, dizem.
A UEFA não justificou até ao momento os pagamentos feitos aos clubes russos.
"Muitos adeptos do futebol ucraniano foram para a frente de combate desde os primeiros dias da invasão russa; muitos deles, infelizmente, nunca mais poderão apoiar as suas equipas no estádio. Por isso, neste momento difícil para o nosso país, qualquer apoio ou assistência financeira adicional ajudará certamente os clubes a aliviar o peso das despesas financeiras que, como mencionado acima, não podem ser compensadas por possíveis receitas devido às circunstâncias da agressão militar", escreveram ainda na carta dirigida à UEFA.
Os pagamentos de solidariedade são geralmente atribuídos a clubes cujo desempenho não tenha sido o melhor e não tenham conseguido obter bons resultados a nível nacional para a qualificação para as competições europeias. Segundo a UEFA, citada pelo The Guardian, estes fundos visam "manter o equilíbrio competitivo nas principais ligas da Europa, tendo em conta os rendimentos adicionais que alguns clubes recebem pela participação nas competições europeias".
A Ucrânia reclamou ainda que os clubes russos estão a receber pontos no ranking da UEFA a cada temporada de suspensão. O número de pontos que um país conquista é determinante para perceber quantas equipas a nível nacional vão participar nas competições europeias, incluindo a Liga dos Campeões.
