A ofensiva aérea ucraniana tem vindo a ganhar intensidade, com o número de ataques de drones de médio alcance mais do que duplicar entre fevereiro e março
O aumento dos ataques com drones de médio alcance da Ucrânia está a afetar as principais rotas de abastecimento russas no sul do país, levando ao fecho de uma das autoestradas mais importantes que liga a Rússia à Crimeia ocupada.
Segundo o Euromaidan, as autoridades russas mandaram encerrar a autoestrada M-14 ao trânsito civil no troço entre a região ocupada de Kherson e o posto de Dzhankoi, no norte da Crimeia.
A decisão surge depois de relatos de ataques quase diários de drones ucranianos contra camiões de abastecimento ao longo da estrada, segundo um decreto assinado a 22 de maio pelo governador nomeado por Moscovo em Kherson.
Os ataques aéreos ucranianos nesta zona têm aumentado, com o número de drones de médio alcance a mais do que duplicar entre fevereiro e março, de acordo com dados da entidade de análise Tochnyi.
There are now enough drones over the Russian land corridor to Crimea for operators to coordinate their actions for joint attacks on priority targets. Which is good. https://t.co/aI1o8R2AkC pic.twitter.com/tDbiTRasUB
— Special Kherson Cat 🐈🇺🇦 (@bayraktar_1love) May 25, 2026
Estas operações focam-se em corredores logísticos importantes como a M-14 e a H-20, que ligam a Rússia ao sul da Ucrânia ocupada e à Crimeia, colocando os abastecimentos militares sob pressão constante.
Os drones ucranianos operam em várias distâncias, desde curto alcance na linha de contacto até sistemas capazes de atingir 200 quilómetros, atacando diretamente as principais vias militares. Segundo militares ucranianos, ouvidos pelo Euromaidan, o objetivo é empurrar a chamada “zona de segurança” logística cada vez mais para perto da Rússia e da Crimeia ocupada.
Este novo padrão de ataques já tem efeitos no terreno. As mesmas fontes de análise indicam que as forças russas perderam terreno em março e abril, num período em que normalmente avançariam na sua ofensiva de primavera.
Ao mesmo tempo, os drones terão causado grande parte das baixas russas nesse período, atingindo tanto veículos de abastecimento como equipas enviadas para recuperar material danificado.
A intensidade dos ataques levou ainda à previsão de reforço das defesas aéreas russas ao longo destas rotas, incluindo sistemas de interferência eletrónica, artilharia antiaérea e possíveis redes antidrones. Ainda assim, as capacidades ucranianas continuam a crescer, com ataques cada vez mais frequentes e organizados ao longo dos corredores M-14 e H-20.
Este cenário lembra episódios anteriores na mesma autoestrada, que em 2025 já tinha sido alvo de drones na zona entre Kherson e Mykolaiv. Na altura, a Ucrânia respondeu com a instalação de redes antidrone, após restrições temporárias ao tráfego civil, conseguindo travar a ameaça nesse troço.
