Rússia aproveita temperaturas de -17°C para "aterrorizar a população": ataques deixam regiões da Ucrânia às escuras e sem aquecimento

3 fev, 10:30
Militares ucranianos da 128ª Brigada de Assalto de Montanha carregam componentes de um sistema portátil de mísseis guiados antitanque (ATGM) 'Skif' num local não revelado na região de Zaporizhia, Ucrânia (EPA/ Kateryna Klocho)

Ao mesmo tempo que ocorre uma intensificação dos ataques, a Ucrânia, os aliados europeus e os Estados Unidos acordaram um mecanismo de resposta a eventuais violações do cessar-fogo por parte da Rússia

A Ucrânia voltou a ser alvo de um ataque em larga escala na última madrugada, com forças russas a lançarem mísseis balísticos e drones contra várias infraestruturas energéticas em todo o país. A ofensiva, que fez pelo menos nove feridos, ocorreu num momento estrategicamente escolhido.

“Aproveitar os dias mais frios do inverno para aterrorizar a população é mais importante para a Rússia do que escolher a diplomacia”, escreveu Zelensky na rede social X, numa altura em que o país enfrenta baixas temperaturas. Esta terça-feira as temperaturas na Ucrânia caíram a pique para -17°C em Kiev e -23°C em Kharkiv, a segunda maior cidade do país.

O impacto na capital foi imediato. O presidente da Câmara de Kiev, Vitali Klitschko, confirmou que 1.170 edifícios residenciais ficaram sem aquecimento após os ataques à infraestrutura energética.

Também o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, reforçou a dimensão da ofensiva, afirmando que a Rússia lançou “450 drones e mais de 60 mísseis” numa única noite, esperando deliberadamente pela descida das temperaturas para atingir o sistema energético ucraniano. “Nem os esforços diplomáticos previstos em Abu Dhabi esta semana nem as suas promessas aos Estados Unidos o impediram de continuar a aterrorizar pessoas comuns no inverno mais rigoroso”, escreveu Sybiha no X.

Os ataques inserem-se numa ofensiva mais ampla contra várias cidades ucranianas, incluindo localidades situadas a centenas de quilómetros da linha da frente, com dezenas de mísseis e centenas de drones a cruzarem o céu noturno do país. Esta vaga de bombardeamentos marca ainda o fim de um breve cessar-fogo energético, durante o qual Moscovo tinha concordado em suspender temporariamente os ataques a infraestruturas críticas.

A retoma dos ataques à capital surge poucos dias depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter afirmado, a 29 de janeiro, que pediu pessoalmente a Vladimir Putin que se abstivesse de atacar Kiev. O apelo fez com que o Kremlin se comprometesse a suspender os ataques às instalações de energia da Ucrânia, medida que iria vigorar apenas até 1 de fevereiro.

Segundo a Força Aérea ucraniana, nos ataques das últimas horas, a Rússia usou quatro mísseis antinavio Zircon/Onix, 32 mísseis balísticos Iskander-M/S-300, sete mísseis de cruzeiro Kh-22/Kh-32 e 28 mísseis de cruzeiro Kh-101/Iskander-K.

Ucrânia, EUA e aliados europeus definem resposta militar

Ao mesmo tempo que ocorre uma intensificação dos ataques, a Ucrânia, os aliados europeus e os Estados Unidos acordaram um mecanismo de resposta a eventuais violações do cessar-fogo por parte da Rússia. De acordo com fontes envolvidas nas negociações, violações persistentes poderão desencadear uma resposta militar coordenada da Europa e dos EUA, segundo avançou o Financial Times.

O plano foi debatido em várias reuniões realizadas em dezembro e janeiro entre responsáveis ucranianos, europeus e norte-americanos, no âmbito da definição de estratégias de dissuasão.

A proposta prevê que qualquer violação russa do cessar-fogo provoque uma reação no prazo de 24 horas, começando com uma advertência diplomática e podendo evoluir, se necessário, para uma ação do exército ucraniano destinada a travar a infração.

Europa

Mais Europa