Ao mesmo tempo que ocorre uma intensificação dos ataques, a Ucrânia, os aliados europeus e os Estados Unidos acordaram um mecanismo de resposta a eventuais violações do cessar-fogo por parte da Rússia
A Ucrânia voltou a ser alvo de um ataque em larga escala na última madrugada, com forças russas a lançarem mísseis balísticos e drones contra várias infraestruturas energéticas em todo o país. A ofensiva, que fez pelo menos nove feridos, ocorreu num momento estrategicamente escolhido.
“Aproveitar os dias mais frios do inverno para aterrorizar a população é mais importante para a Rússia do que escolher a diplomacia”, escreveu Zelensky na rede social X, numa altura em que o país enfrenta baixas temperaturas. Esta terça-feira as temperaturas na Ucrânia caíram a pique para -17°C em Kiev e -23°C em Kharkiv, a segunda maior cidade do país.
Recovery efforts following the Russian strike across our regions are ongoing. Once again, there was a targeted attack specifically on energy facilities – the Russians used a significant number of ballistic missiles in combination with other missiles, more than 70 missiles in… pic.twitter.com/EymOingPiY
— Volodymyr Zelenskyy / Володимир Зеленський (@ZelenskyyUa) February 3, 2026
O impacto na capital foi imediato. O presidente da Câmara de Kiev, Vitali Klitschko, confirmou que 1.170 edifícios residenciais ficaram sem aquecimento após os ataques à infraestrutura energética.
Também o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, reforçou a dimensão da ofensiva, afirmando que a Rússia lançou “450 drones e mais de 60 mísseis” numa única noite, esperando deliberadamente pela descida das temperaturas para atingir o sistema energético ucraniano. “Nem os esforços diplomáticos previstos em Abu Dhabi esta semana nem as suas promessas aos Estados Unidos o impediram de continuar a aterrorizar pessoas comuns no inverno mais rigoroso”, escreveu Sybiha no X.
The temperature in Ukraine is below -20°C (-4°F). Overnight, Russia attacked with 450 drones and over 60 missiles, including ballistic ones.
— Andrii Sybiha 🇺🇦 (@andrii_sybiha) February 3, 2026
Primary targets: energy and residential houses in Kyiv, Dnipro, Kharkiv, Sumy, Odesa, and other regions.
Putin waited for the… pic.twitter.com/472hClO1LJ
Os ataques inserem-se numa ofensiva mais ampla contra várias cidades ucranianas, incluindo localidades situadas a centenas de quilómetros da linha da frente, com dezenas de mísseis e centenas de drones a cruzarem o céu noturno do país. Esta vaga de bombardeamentos marca ainda o fim de um breve cessar-fogo energético, durante o qual Moscovo tinha concordado em suspender temporariamente os ataques a infraestruturas críticas.
A retoma dos ataques à capital surge poucos dias depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter afirmado, a 29 de janeiro, que pediu pessoalmente a Vladimir Putin que se abstivesse de atacar Kiev. O apelo fez com que o Kremlin se comprometesse a suspender os ataques às instalações de energia da Ucrânia, medida que iria vigorar apenas até 1 de fevereiro.
Segundo a Força Aérea ucraniana, nos ataques das últimas horas, a Rússia usou quatro mísseis antinavio Zircon/Onix, 32 mísseis balísticos Iskander-M/S-300, sete mísseis de cruzeiro Kh-22/Kh-32 e 28 mísseis de cruzeiro Kh-101/Iskander-K.
Ucrânia, EUA e aliados europeus definem resposta militar
Ao mesmo tempo que ocorre uma intensificação dos ataques, a Ucrânia, os aliados europeus e os Estados Unidos acordaram um mecanismo de resposta a eventuais violações do cessar-fogo por parte da Rússia. De acordo com fontes envolvidas nas negociações, violações persistentes poderão desencadear uma resposta militar coordenada da Europa e dos EUA, segundo avançou o Financial Times.
O plano foi debatido em várias reuniões realizadas em dezembro e janeiro entre responsáveis ucranianos, europeus e norte-americanos, no âmbito da definição de estratégias de dissuasão.
A proposta prevê que qualquer violação russa do cessar-fogo provoque uma reação no prazo de 24 horas, começando com uma advertência diplomática e podendo evoluir, se necessário, para uma ação do exército ucraniano destinada a travar a infração.