Relatório americano diz que há russos a atacar instalações militares russas com cocktails molotov

20 mai, 02:44
Moscovitas passam pela letra Z, que se tornou o símbolo dos militares russos

Há notícia de pelo menos 12 casos de fogo posto por toda a Rússia só em maio, incluindo três ataques a complexos militares na região de Moscovo. Dois jovens russos foram apanhados em flagrante, o que sugere que serão os russos que se estão a revoltar contra a guerra e os recrutamentos

O Institute for the Study of War (Instituto para o Estudo da Guerra), um think tank norte-americano, garante que só no mês de maio pelo menos 12 instalações militares na Rússia foram alvo de fogo posto e ataques com cocktails molotov. Os autores destes ataques, adianta a instituição norte-americana, são indivíduos russos, cuja identidade é desconhecida. A informação consta do mais recente relatório do ISW sobre a guerra na Ucrânia.

"Em maio, atacantes russos desconhecidos conduziram uma série de ataques com cocktails molotov a instalações militares russas por todo o país", pode ler-se no documento divulgado ontem. O relatório baseia-se em informação divulgada através de fontes abertas - notícias na comunicação social, declarações de responsáveis políticos e militares, informações e vídeos partilhados através de redes sociais como o Telegram. 

"Os meios de comunicação social russos e os canais locais de Telegram relataram atos deliberados de fogo posto contra instalações militares em três povoações da região de Moscovo (...) entre 4 e 18 de maio". Segundo o vice-chefe de Operações Principais do Estado-Maior General Ucraniano, Oleksiy Gromov, citado pelo ISW, "no total houve pelo menos 12 casos de fogo posto deliberado contra complexos militares", dos quais "cinco na semana passada".

A explicação mais provável para estes ataques, sem grande sofisticação logística, parece ser o protesto dos cidadãos russos contra um processo de mobilização de mais pessoas para as Forças Armadas russas, que estará a decorrer de forma encoberta. São cada vez mais os relatos, nas redes sociais, de russos que receberam cartas para que se juntem ao esforço de guerra russo. Não se trata de um recrutamento mandatório, porque oficialmente a Rússia não está em guerra, mas muitos russos com experiência militar - nomeadamente reservistas com idades entre os 30 e os 50 anos - têm sido aliciados para voltarem às fileiras. Há também o receio de que o esforço de guerra acabe por obrigar ao recrutamento de jovens.

Segundo o ISW, "as autoridades russas apanharam dois jovens de 16 anos de idade" a atacar uma instalação militar na região de Moscovo, "o que sugere que os cidadãos russos são provavelmente responsáveis pelos ataques aos complexos militares".

Violência de Donetsk terá chocado alguns militares russos

O relatório divulgado ontem nota também que "as forças russas continuam a sofrer escassez de efetivos de reserva, fazendo com que o comando militar russo esteja a tentar consolidar grupos táticos de batalhão (BTG) que estão esgotados". Segundo um oficial de defesa dos EUA, "as forças russas ainda têm 106 BTG a operar na Ucrânia, mas tiveram de desmantelar e combinar alguns para compensar as perdas". 

De acordo com oficiais ucranianos, "algumas tropas russas retiradas do eixo da cidade de Kharkiv foram reafectadas à região ocidental de Donetsk", para compensar as "perdas significativas sofridas em combate" por batalhões russos que combatem nesta cidade. 

Segundo uma comunicação intercetada pela Direção Militar Ucraniana, um militar russo terá dito que alguns dos 400 militares que foram deslocados de Kharkiv para Donetsk "ficaram chocados com a intensidade dos combates ali ocorridos em comparação com o que tinham experimentado" mais a norte.

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