Porta-voz de Putin: “Ninguém está a pensar usar uma arma nuclear”

29 mar, 04:51

"Não encurralem a Rússia", avisou o porta-voz do Kremlin, numa entrevista em que descartou uma ameaça - sobre o uso de armas atómicas -, mas admitiu outra - o corte no fornecimento de gás à Europa, se este não for pago em rublos

Dmitry Peskov, o porta-voz de Vladimir Putin, garantiu esta noite em entrevista à PBS que no Kremlin “ninguém está a pensar usar uma arma nuclear” por causa da guerra russa na Ucrânia. A resposta contraria o que havia sido dito há poucos dias pelo mesmo responsável russo que, numa entrevista à CNN Internacional, não colocou de lado essa possibilidade.

Peskov começou por esclarecer que a "operação militar especial" da Rússia na Ucrânia e os cenários de eventual utilização de armas atómicas "não têm nada a ver um com o outro". Ao que o jornalista Ryan Chilcote atalhou que Putin avisou os países terceiros para não interfiram neste conflito, chegando a “sugerir que utilizaria armas nucleares se uma terceira parte se envolvesse no conflito". "Acho que não", respondeu Peskov.

O porta-voz do Kremlin escudou-se na doutrina russa, já invocada por Putin e recentemente reiterada pelo antigo presidente e primeiro-ministro russo Dmitry Medvedev, de que a Rússia se reserva o direito de utilizar armas nucleares se a existência do Estado Russo estiver em perigo. Ao que Chilcote respondeu que, se olharmos para qualquer definição de “ameaça existencial”, "claramente, nada do que está a acontecer ou que seja, francamente, imaginável que possa acontecer poderia atingir aquele nível de ameaça à existência do Estado russo". 

E, sendo assim, o jornalista norte-americano exortou o responsável russo a “esclarecer isto agora mesmo”: “Porque não pode, em nome da Rússia, excluir a utilização de armas nucleares neste conflito, aqui mesmo"?

Ao que Peskov respondeu, embora de forma hesitante: "Ninguém está a pensar sobre usar, sobre… mesmo sobre a ideia de usar uma arma nuclear".

Por outro lado, o porta-voz de Putin advertiu o Ocidente para que entenda “as preocupações” de Moscovo com o alargamento da NATO e não tente “encurralar a Rússia”.  

Eis os principais pontos da entrevista de Dimitry Peskov, cuja transcrição pode ler aqui:

Declarações de Biden sobre afastamento de Putin no poder

“Antes de mais nada, é um insulto pessoal. (...) É completamente inaceitável. Não cabe ao presidente dos Estados Unidos decidir quem vai ser e quem é o presidente da Federação Russa. É o povo da Rússia que decide em eleições.”

 

“Operação militar especial” na Ucrânia

“Não temos dúvidas de que todos os objetivos da nossa operação militar especial na Ucrânia serão conseguidos. Não temos dúvidas a esse respeito. Mas qualquer que seja o resultado da operação, evidentemente, não é motivo para a utilização de uma arma nuclear.”

 

Alvos civis 

“Desde o início desta operação especial, os militares russos tinham uma ordem muito estrita do comandante-chefe para não apontarem a alvos civis. E não o estão a fazer. Eles não estão a bombardear casas. Não estão a bombardear apartamentos. Não estão a bombardear objetos civis. Estão apenas a bombardear e visam infraestruturas militares, no contexto de um dos principais objectivos da operação, a desmilitarização da Ucrânia.”

 

Massacre de Mariupol

“Esses batalhões nazis dentro de Mariupol estão simplesmente a matar aqueles que gostariam de fugir da cidade. Esses batalhões nazis estão a usar os apartamentos como abrigo para as suas armas, para os seus armamentos, para os seus tanques, para os seus franco-atiradores. Isto está a causar o fogo recíproco. Portanto, não são os militares russos que estão a fazer isso.”

 

Corte de fornecimento de gás à Europa

“Depende. Sem pagamento, não há gás.”

 

Sanções económicas à Rússia

“Entrámos num fase de guerra total. E nós, na Rússia, vamos sentir-nos entre guerras, porque os países da Europa Ocidental, Estados Unidos, Canadá, Austrália, na verdade estão a liderar uma guerra contra nós no comércio, na economia, no confisco das nossas propriedades, no confisco dos nossos fundos, no bloqueio das nossas relações financeiras.”

 

NATO

“Durante algumas décadas, dissemos ao Ocidente que temos medo que a vossa NATO avance para Leste. Também temos medo de que a NATO se aproxime das nossas fronteiras com as suas infraestruturas militares. Por favor, tratem disso. Não nos encurralem. Não. (...) Então, dissemos, escutem, rapazes, não estamos satisfeitos com a possibilidade de a Ucrânia entrar na NATO, porque nos colocará em perigo adicionalmente, e arruinará o equilíbrio da dissuasão mútua na Europa.”

“Estamos profundamente convencidos de que a máquina da NATO não é uma máquina de cooperação e não é uma máquina de segurança. É uma máquina de confrontação.”

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