O chefe máximo das Forças Armadas russas esteve na linha da frente e escapou a ataque ucraniano

2 mai 2022, 03:15
Valery Gerasimov, numa foto de 2013

Valery Gerasimov, a mais alta patente militar da Rússia, esteve na linha da frente da guerra no Donbass. Quando as forças ucranianas se deram conta da sua presença lançaram um ataque, mas o general escapou. Porém, há relatos contraditórios - uns dizem que já tinha abandonado o local, outros garantem que terá sido ferido por estilhaços

O chefe do Estado-Maior do Exército russo, general Valery Gerasimov, o mais alto responsável militar do país, fez uma visita às suas tropas na linha da frente na Ucrânia oriental no final da semana passada. A informação é adiantada pelo jornal New York Times, citando um alto responsável ucraniano e duas fontes norte-americanas com conhecimento da visita. 

A inédita deslocação de Gerasimov a uma zona de alto risco terá a ver com o esforço para "mudar o rumo" da ofensiva russa, que tem acumulado diversos revezes e pequenas vitórias. De acordo com o relato de fontes russas, citadas pelo diário britânico Daily Mail, Gerasimov terá sido enviado para a frente de batalha pelo próprio Vladimir Putin.

O chefe máximo do Exército russo esteve em território ucraniano controlado pelas suas forças, incluindo Izium, uma cidade no Leste da Ucrânia, a meio caminho entre Kharkiv e Donetsk. Trata-se de uma cidade média que foi transformada em base de operações para os russos, conforme prossegue a ofensiva destinada tomar a região conhecida como Donbas, na fronteira com a Rússia. 

Segundo o relato do diário nova-iorquino, quando os serviços de informações ucranianos tomaram conhecimento da deslocação, já Gerasimov tinha abandonado a cidade. As forças ucranianas lançaram no sábado à noite um ataque a um dos locais visitados pelo general russo - a Escola nº 12 em Izium - mas este já havia partido para a Rússia. Apesar disso, do ataque terá resultado a morte de cerca de 200 soldados, incluindo pelo menos um general, segundo o oficial ucraniano citado pelo NYT.

Ferido por estilhaços?

A notícia do NYT é diferente da informação adiantada pelo Daily Mail, segundo o qual Gerasimov sofreu "uma ferida de estilhaços no terço superior da perna direita sem uma fractura óssea". O diário londrino cita uma fonte russa não oficial. “O estilhaço foi removido e não há perigo de vida", disse a mesma fonte.

Mas o ferimento terá sido suficientemente grave para o fazer recuar para longe da linha da frente. Já na Rússia, estará a ser submetido a um novo tratamento. A ser assim, seria “outra derrota embaraçosa para as forças de Putin”, escreve o Daily Mail.

"O nosso pressuposto de trabalho é que ele estava lá porque há um reconhecimento de que ainda não resolveram todos os seus problemas", disse uma das fontes norte-americanas citadas na notícia do New York Times. Segundo o diário, "a presença de um oficial de tão alta patente na linha da frente é altamente invulgar e vem no meio do que os analistas militares ocidentais descrevem como uma desordem crescente no seio das forças russas. Mesmo com objetivos dramaticamente reduzidos, os oficiais e analistas ocidentais dizem que os militares russos continuam a lutar com problemas logísticos e de coordenação entre as suas tropas".

Gerasimov é considerado uma das três pessoas, juntamente com Vladimir Putin e o ministro da defesa, que traçaram o curso da guerra desde o seu início.

São já nove, pelas contas da Ucrânia, os generais russos mortos nesta guerra. O mais recente terá sido o major-general Andrei Simonov, de 55 anos, segundo a informação de um conselheiro do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky.

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