Menos bombardeiros, mas ataques mais devastadores: como a Rússia está a reinventar a guerra aérea contra a Ucrânia

17 jun, 13:32
Um Tu-22M sobrevoa a Praça Vermelha durante um ensaio para o desfile militar do Dia da Vitória, que terá lugar na Praça Vermelha, em Moscovo, no dia 9 de maio, para comemorar os 71 anos da vitória na Segunda Guerra Mundial, em Moscovo, Rússia, no sábado, 7 de maio de 2016. AP
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Se no início da guerra os mísseis eram lançados de forma dispersa, atualmente são combinados com grandes vagas de drones Geran, a versão russa dos Shahed iranianos, tornando a resposta das defesas ucranianas muito mais difícil

A queda de um bombardeiro russo Tupolev Tu-22M na região de Irkutsk, perto da fronteira com a Mongólia, representou mais uma baixa numa frota estratégica que Moscovo tem dificuldade em substituir e acendeu a esperança em Kiev.

O aparelho despenhou-se nas proximidades da base aérea de Belaya, uma das instalações que acolhe bombardeiros de longo alcance russos, e a sua perda surge num momento em que a Ucrânia continua a tentar reduzir a capacidade da Rússia de lançar ataques contra cidades ucranianas.

Desde o início da invasão em grande escala, em fevereiro de 2022, a força aérea russa perdeu vários dos seus principais bombardeiros. Entre acidentes, abatimentos e destruições em solo, terão sido retirados de operação até dez Tu-22M e nove Tu-95MS.

Um dos golpes mais significativos ocorreu em junho de 2025, durante a chamada Operação Spider Web, quando drones introduzidos clandestinamente em território russo atingiram várias bases aéreas, incluindo Belaya. Apesar destas perdas, Moscovo continua a dispor de uma frota considerável.

O problema para a Rússia é que os modelos Tu-22M3 e Tu-95MS já não são produzidos há décadas. O último Tu-22M3 saiu da linha de montagem em 1993 e os motores que o equipam deixaram de ser fabricados poucos anos depois. Apenas o Tu-160M continua a ser produzido, mas a um ritmo reduzido. Desde 2022, apenas quatro destes aparelhos foram acrescentados à frota, o que significa que cada bombardeiro antigo perdido é praticamente impossível de substituir.

Ainda assim, a diminuição do número de aeronaves não teve o impacto que Kiev esperava. Segundo o analista Justin Bronk, do Royal United Services Institute, ouvido pelo Euromaidan, a Rússia melhorou significativamente a coordenação dos seus ataques.

Se no início da guerra os mísseis eram lançados de forma dispersa, atualmente são combinados com grandes vagas de drones Geran, a versão russa dos Shahed iranianos, tornando a resposta das defesas ucranianas muito mais difícil.

Além disso, os mísseis russos passaram a incorporar contramedidas eletrónicas e físicas mais sofisticadas, bem como trajetórias e manobras finais mais eficazes. O resultado é que um número reduzido de bombardeiros consegue hoje gerar um impacto muito superior ao de uma frota maior no passado.

Embora cada Tu-22M perdido continue a representar uma vitória para a Ucrânia, os aparelhos que permanecem operacionais estão a ser utilizados de forma cada vez mais eficiente e destrutiva, permitindo à Rússia manter uma forte capacidade de ataque contra alvos ucranianos.

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