Círculos nacionalistas e falcões militares russos estão zangados com a forma como Putin está a conduzir a guerra

31 mai, 03:22
Vladimir Putin. Foto: EPA

Relatório de think thank americano destaca divergências nos bastidores militares russos, conforme Putin encolhe a ambição da sua guerra. E aponta para a “falta de profissionalismo e de modernização” das forças russas

 


As dissidências internas nos círculos militares russos continuam a alastrar, com a linha mais dura a acusar o Kremlin de não estar a fazer o suficiente para ganhar a guerra na Ucrânia. A garantia é dada pelo mais recente relatório do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW, na sigla inglesa), um think tank norte-americano.

O documento divulgado ontem refere o caso do antigo oficial russo do Serviço Federal de Segurança (FSB), Igor Girkin, muito crítico em relação às declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergey Lavrov, sobre a nova prioridade da "operação especial" na Ucrânia ser a libertação do Donbass. Girkin condenou a ideia de centrar o conflito no Donbass, em vez da totalidade da Ucrânia. Em sua opinião, o Kremlin já não questiona a legitimidade da existência da Ucrânia e terá esquecido os objetivos de "desnazificação" e "desmilitarização" do país vizinho.

Na opinião deste "falcão", a redefinição das prioridades russas representa um apaziguamento em relação à Ucrânia, e faz crescer o risco de uma derrota de Moscovo.

De acordo com a análise do ISW, "o Kremlin enfrenta cada vez mais o descontentamento, não dos russos que se opõem à guerra, mas de figuras militares e nacionalistas zangadas com as perdas russas e frustradas com a mudança do enquadramento da guerra". Na previsão deste think tank, "os oficiais russos são cada vez mais incapazes de utilizar as mesmas justificações ideológicas para a invasão face aos claros reveses [no terreno], e a falta de ganhos militares concretos na Ucrânia continuará a fomentar a insatisfação interna com a guerra".

 

“Falta de profissionalismo e de modernização”

 

No relatório diário sobre a situação no terreno de combate, o ISW chama a atenção para a grande quantidade de baixas entre os oficiais subalternos russos, que “irá provavelmente degradar ainda mais as capacidades russas e levar a mais quebras morais”. 

O Instituto cita dados do Ministério da Defesa do Reino Unido, segundo os quais as forças russas têm sofrido grandes perdas entre os oficiais subalternos e de patente intermédia, pois os oficiais de nível de batalhão e de brigada continuam a ser destacados para a frente de combate, em vez de comandar a partir da retaguarda, delegando em oficiais de patente inferior.

Tal acontece “devido à falta de profissionalismo e modernização no seio das Forças Armadas russas”, que obriga oficiais intermédios a assumir tarefas de alto risco que deviam ser delegadas. “As perdas contínuas destes oficiais irão complicar os esforços de comando e controlo, particularmente nos Grupos Táticos de Batalhão (BTG) formados a partir dos sobreviventes de múltiplas outras unidades”, prevê o Instituto para o Estudo da Guerra. 

“A desmoralização contínua e o comando e controlo deficientes entre as forças russas”, escreve o think tank norte-americano, podem “apresentar às forças ucranianas oportunidades de conduzir contraofensivas prudentes, particularmente à medida que os militares russos continuarem a derramar recursos na batalha de Severodonetsk, à custa de outras frentes de combate”.

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