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App controlada pelo Kremlin passa a estar pré-instalada em todos os smartphones na Rússia

CNN , Ryan Hogg
21 ago 2025, 19:42
A disseminação da Max poderá aumentar a vigilância dos cidadãos russos (Shamil Zhumatov/Reuters)

A disseminação da Max poderá aumentar a vigilância dos cidadãos russos

O governo russo vai exigir que a aplicação de troca de mensagens Max, que é apoiada pelo Kremlin, esteja pré-instalada em todos os smartphones e tablets que forem vendidos na Rússia. É uma medida que poderá aumentar a vigilância estatal dos cidadãos russos.

Segundo um comunicado oficial divulgado esta quinta-feira, a Max será instalada nos dispositivos a partir de 1 de setembro. O mesmo vai acontecer com a plataforma RuStore, uma rival russa da App Store da Apple, que também estará pré-instalada nos iPhones. Além disso, a partir de 1 de janeiro, o programa Lime HD TV, que permite o acesso gratuito aos canais de televisão estatais russos, também será instalado automaticamente nas televisões inteligentes daquele país.

A Max foi lançada em março pelo grupo de redes sociais VK, que é controlado pelo Estado. Veio substituir a VK Messenger, que estava na lista de aplicações obrigatórias do governo desde 2023.

Esta nova aplicação permite aos utilizadores enviar mensagens, fazer chamadas de áudio e de vídeo ou enviar dinheiro. Para o futuro estão previstas novas funcionalidades, incluindo uma ferramenta para reserva de viagens, informou o VK no seu último relatório de resultados.

Cerca de 18 milhões de pessoas já se registaram na Max desde o seu lançamento, segundo reportou a agência noticiosa estatal TASS esta semana, citando a assessoria de imprensa da aplicação.

Repressão russa às redes sociais estrangeiras

A Max é semelhante à aplicação WeChat, que faz enorme sucesso na China, oferecendo aos utilizadores um canal único para enviar mensagens, publicar nas redes sociais e fazer pagamentos e reservas. A atividade dos utilizadores no WeChat estará, muito provavelmente, debaixo da vigilância do estado chinês, segundo especialistas já ouvidos pela CNN.

Em simultâneo, a Rússia tomou medidas para limitar o uso de alguns serviços estrangeiros de mensagens.

A Rússia já proibiu o Facebook, o Instagram e o X. No início deste mês, o regulador dos media russo anunciou limitações nas chamadas de voz pelo WhatsApp e pelo Telegram para “combater os criminosos”. O WhatsApp veio acusar a Rússia de tentar bloquear o acesso à aplicação para os seus cerca de 100 milhões de utilizadores russos.

Ao contrário da Max, o WhatsApp e o Telegram oferecem encriptação de ponto a ponto, impedindo que terceiros tenham acesso aos dados dos utilizadores.

A Rússia tem procurado tornar cada vez mais difícil o uso de aplicações de redes sociais estrangeiras, observava Anastasiia Kruope, investigadora da Human Rights Watch, num relatório publicado em julho.

“Isso, juntamente com a promoção ativa de alternativas russas patrocinadas pelo Estado, forçou um número crescente de utilizadores a mudarem-se para navegadores e redes sociais russos”, escreveu Kruope.

Também Andrei Soldatov e Irina Borogan, investigadores do Centro de Análise de Política Europeia, com sede em Washington, D.C., escreveram no mês passado que o “ataque sustentado” ao WhatsApp fazia parte dos esforços do Kremlin “para pressionar os russos a mudarem-se do WhatsApp para a Max”.

“É provável que esta política funcione, especialmente se a população não tiver escolha”, juntaram.

A VK, dona da Max, foi cofundada por Pavel Durov, o multimilionário russo na origem do Telegram em 2006. Durov foi forçado a deixar o cargo de presidente executivo em 2014, após várias discussões com o estado russo relacionadas com censura e a sua recusa em entregar dados de utilizadores.

O atual presidente executivo da VK, Vladimir Kiriyenko, é filho do primeiro vice-chefe de gabinete de Putin, Sergey Kiriyenko.

Caitlin Danaher, Mitchell McCluskey, Katharina Krebs e Anna Chernova, da CNN, contribuíram para este artigo

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