Líder separatista diz que perspetiva de guerra com Ucrânia "é real"

Agência Lusa , JGR
5 dez 2021, 14:42
Ucrânia
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O responsável considerou “absurdo” acusar a Rússia de concentrar tropas na fronteira com a Ucrânia, numa altura em que antecipa que “todos os habitantes” da sua república receberão a cidadania russa

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O líder da autoproclamada República Popular pró-Rússia de Donetsk, Denis Pushilin, considerou este domingo que “é real” a perspetiva de haver uma guerra de grande escala com a Ucrânia no Donbass (leste histórico da Ucrânia).

“A possibilidade de serem retomadas ações militares de grande escala é real”, afirmou Pushilin à agência de notícias russa Interfax.

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Pushilin sublinhou que tanto as declarações dos líderes ucranianos e ocidentais como as tropas e armamento posicionados por Kiev perto da linha de separação do Donbass confirmam que “a Ucrânia está pronta” para entrar em ação.

“É difícil prever como vai evoluir a situação. Estamos a preparar diferentes cenários. Estamos a lidar com a Ucrânia, um país que perdeu a sua identidade depois de 2014 (revolução Euromaidan)”, referiu.

A revolução Euromaidan teve início em novembro de 2013 e consistiu numa série de manifestações civis devido à recusa do então Presidente, Víktor Yanukovych, assinar um acordo de associação com a União Europeia. A agitação, que levou à queda do Governo do Presidente, provocou mais de 100 mortos.

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“As nossas unidades militares estão em forma e dispostas a repelir a agressão”, garantiu Pushilin, admitindo que as opções para o pleno cumprimento dos Acordos de Paz de Minsk “são praticamente inexistentes”.

“Honestamente, não acredito no cumprimento total dos Acordos de Minsk. Se olharmos para os documentos, o culpado é a Ucrânia. Porque é que Donetsk e Lugansk têm de abandonar os acordos?”

Os acordos de Minsk foram assinados em 2015 para travar os confrontos nas províncias separatistas do leste da Ucrânia Donetsk e Lugansk, que tiveram início após a anexação da península da Crimeia pela Rússia, em março de 2014.

As conversações de Minsk decorreram entre as duas partes envolvidas, na presença do Presidente da Rússia, Vladimir Putin, do seu ex-homólogo da Ucrânia, Petro Poroshenko, sob mediação do então chefe de Estado francês, François Hollande, da chanceler alemã, Angela Merkel, e supervisionadas pela Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

Apesar dos acordos terem conseguido reduzir os combates, não resultaram numa solução política, continuando as duas províncias sem estatuto definido em termos internacionais.

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Denis Pushilin reconheceu, no entanto, que o atraso na implementação dos acordos permitiu à separatista República Popular de Donetsk “criar o seu próprio Estado”.

Pushilin disse acreditar que a República Popular de Donetsk não vai precisar recorrer a ajuda militar da Rússia e da Bielorrússia, embora tenha acrescentado que “nada pode ser descartado”.

O responsável considerou “absurdo” acusar a Rússia de concentrar tropas na fronteira com a Ucrânia, numa altura em que antecipa que “todos os habitantes” da sua república receberão a cidadania russa.

A Ucrânia acusou a Rússia de concentrar entre 90.000 e 100.000 soldados na fronteira para atacar o seu território durante o inverno.

De acordo com os serviços de informações dos Estados Unidos, apoiados em imagens de satélite, a Rússia planeia aumentar a sua presença militar na fronteira com a Ucrânia para 175 mil militares.

Moscovo, por seu lado, acusou Kiev de estacionar 125 mil militares no Donbass, ou seja, metade das Forças Armadas ucranianas.

A tensão na Ucrânia será abordada na terça-feira numa cimeira virtual a ser realizada pelos Presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e dos EUA, Joe Biden, segundo anunciaram no sábado o Kremlin e a Casa Branca.

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A conversa virtual vai acontecer depois de Putin ter proposto esta semana à NATO a assinatura de um pacto de segurança para evitar que a Ucrânia e a Geórgia se juntem à Aliança Atlântica.

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