"E durante, digamos, as duas horas seguintes violaram-me de dois em dois minutos com pegas de esfregona": BBC revela abusos nas prisões russas

10 ago, 15:10
Prisão em Moscovo, Rússia (AP)

Caso foi descoberto no ano passado mas só agora algumas das vítimas deram a cara

Vários ex-presidiários russos revelaram à BBC os detalhes sobre os abusos praticados na prisão-hospital de Saratov, no sudoeste do país. Alexei Makarov, uma das vítimas, estava informado acerca das condições da prisão quando lá foi colocado em 2018 para cumprir parte de uma sentença de seis anos por agressão. A sofrer de tuberculose, Makarov afirma ter sido torturado e violado duas vezes.

"Durante 10 minutos bateram-me, rasgaram-me a roupa. E durante, digamos, as duas horas seguintes violaram-me de dois em dois minutos com pegas de esfregona. Quando eu desmaiava atiravam-me com água fria e punham-me de volta à mesa", diz Makarov à BBC, referindo que o mesmo aconteceu passado dois meses.

De acordo com a BBC, tanto vítimas como peritos afirmam que estes abusos são encorajados pelas chefias das prisões como forma de chantagear, intimidar ou obter confissões.

Makarov adianta que todos os atos de tortura eram gravados, podendo ser distribuídos por toda a prisão caso a vítima não acedesse aos pedidos das autoridades. Os violadores, diz Makarov, poderiam ser outros prisioneiros, que alegadamente atuariam sob ordens dos diretores da prisão.

História semelhante conta o também ex-presidiário Sergey Savelyev, o responsável pela partilha dos vídeos. Apesar de ser um dos detidos, Savelyev tinha acesso aos vídeos pois trabalhava no departamento de segurança da prisão, com a função de catalogar as imagens captadas pelas bodycams dos guardas.

À BBC conta que, no entanto, para filmar os abusos os guardas pediam aos detidos para usarem essas mesmas câmaras. "Recebia ordens [para distribuir bodycams] do chefe da segurança", afirma. Também lhe era pedido que guardasse as imagens para posteriormente serem vistas pelo departamento de segurança ou outro pessoal sénior. Quando se apercebeu dos abusos, começou a guardar os vídeos à parte, escondidos.

Savelyev refere ainda que os presidiários responsáveis pelos abusos eram, de forma geral, os que serviam as penas mais longas, também denominados "pressovschiki". "Eles estão interessados em fazer as coisas bem durante esse período para que possam comer bem, dormir bem e ter alguns privilégios."

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