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Rússia fatura milhões com petróleo desde o início da guerra com o Irão

CNN Portugal , MCN
12 mar, 17:45
Vladimir Putin na conferência dos "resultados do ano" da Rússia (Getty)

Dados do Centre for Research on Energy and Clean Air revelam que Moscovo lucrou mais de 672 milhões de euros em receitas de petróleo, gás e carvão desde o início de março

A Rússia arrecadou seis mil milhões de euros com a venda de combustíveis fósseis, desde o início do conflito dos EUA e Israel com o Irão, há 12 dias.

As receitas indicam que Moscovo obteve um lucro adicional de 672 milhões de euros em vendas de petróleo, gás e carvão durante o mês de março, uma vez que a média combinada dos preços diários disparou 14% em relação a fevereiro.

São dados do centro de estudos Centre for Research on Energy and Clean Air, citados pelo jornal The Guardian, que revelam que grande parte deste aumento, cerca de 625 milhões de euros, pode estar relacionado com a comercialização de petróleo.

São também valores que surgem dias depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, indicar que iria aliviar as sanções dos EUA ao petróleo russo para responder à escalada global dos preços desde o início do conflito com o Irão. 

Coincide também com um aviso que saiu, esta quinta-feira, da Agência Internacional de Energia de que a guerra reduziu a produção de petróleo e gás do Golfo em, pelo menos, 10 milhões de barris por dia, criando "a maior interrupção de abastecimento na história do mercado petrolífero global".

"Em última análise, alimenta a máquina de guerra do Kremlin"

As receitas de Moscovo provenientes das matérias-primas são uma componente crucial do orçamento do Estado para financiar gastos militares, nomeadamente a guerra na Ucrânia.

Alexander Kirk, ativista da ONG Urgewald, citado pelo mesmo jornal britânico, explica que quando os mercados entram em crise “são os exportadores autoritários que lucram”.

“Em menos de duas semanas, a Rússia ganhou cerca de 6 mil milhões de euros com a exportação de combustíveis fósseis, dinheiro que, em última análise, alimenta a máquina de guerra do Kremlin.", reitera o ativista.

Alexander Kirk critica ainda o alívio das sanções ao petróleo russo anunciadas pela administração Trump, que não vão favorecer os mercados.

"Aliviar as sanções agora não iria estabilizar os mercados. O que faria era permitir que a Rússia vendesse o mesmo petróleo por um preço muito melhor. As sanções dos EUA forçaram o crude russo a ser negociado com um desconto acentuado. Um recuo elimina essa diferença da noite para o dia e entrega ao Kremlin um aumento de receitas no valor de milhares de milhões, no exato momento em que a pressão está a começar a surtir efeito."

De acordo ainda com o Centre for Research on Energy and Clean Air, antes do começo do conflito com o Irão, os ganhos da Rússia com a exportação de petróleo e gás tinham decrescido ao longo dos 12 meses anteriores.

Também a Agência Internacional de Energia indicou esta quinta-feira que as receitas da Rússia provenientes do petróleo bruto e de produtos refinados tinham diminuído no mês anterior ao ataque ao Irão, atingindo o seu nível mais baixo desde o início da guerra na Ucrânia em 2022.

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