Como uma "aproximação perigosa" levou um navio de guerra russo a disparar tiros de aviso contra um iate britânico no Canal da Mancha

CNN , Hira Humayun e Sophie Tanno
17 jun, 06:18
Canal da Mancha
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Incidente ocorre dois dias depois de as forças armadas britânicas terem intercetado, pela primeira vez, um petroleiro ligado à chamada frota sombra da Rússia na mesma zona

Um navio de guerra russo no Canal da Mancha disparou tiros de aviso várias centenas de metros à frente de um iate com bandeira britânica que parecia navegar numa rota de colisão com a embarcação na terça-feira, segundo o Ministério da Defesa da Rússia.

O iate não registou feridos nem danos e continua a sua viagem.

O comunicado do ministério refere que a tripulação de uma fragata russa avistou o iate civil Bright Future e considerou que este seguia “numa rota perigosa” que o colocaria em “proximidade próxima” do navio de guerra.

Depois de várias tentativas sem resposta para contactar a tripulação do iate via rádio, a embarcação manteve o rumo e a tripulação russa lançou foguetes de sinalização para chamar a atenção do veleiro, de acordo com o Ministério da Defesa.

O ministério russo afirmou que o veleiro continuou a sua “aproximação perigosa” e que, quando se encontrava a cerca de 150 metros de distância, o comandante da fragata russa “decidiu abrir fogo de aviso ao longo da rota da embarcação utilizando armas ligeiras do navio”. O iate alterou então o rumo, afastando-se da embarcação russa, acrescentou o ministério.

“A tripulação da fragata ‘Admiral Grigorovich’ atuou em estrita conformidade com os regulamentos marítimos internacionais e tomou todas as medidas necessárias para evitar um incidente”, declarou o Ministério da Defesa da Rússia.

Um porta-voz do Ministério da Defesa do Reino Unido afirmou na terça-feira que os tiros de aviso não foram dirigidos à embarcação britânica, mas constituíram “uma tentativa de evitar uma possível colisão”. O incidente ocorreu a 32 quilómetros a sul da Ilha de Wight, fora das águas territoriais britânicas.

Os movimentos dos navios de guerra russos quando atravessam o Canal da Mancha, a zona marítima mais movimentada do mundo, são regularmente acompanhados e monitorizados pelas autoridades britânicas. Na terça-feira, a fragata Grigorovich estava a ser seguida pelo HMS Mersey, um navio patrulha oceânico da Marinha Real Britânica que operava na área no momento do incidente, disse o porta-voz.

Segundo uma fonte da Defesa britânica, a embarcação russa estava a sinalizar a outros navios que se encontrava à deriva e não a ser manobrada por meios próprios, o que poderá ter levado o navio russo a sentir-se mais vulnerável, originando os tiros de aviso. A fonte acrescentou que os disparos efetuados terão sido tiros isolados e não fogo automático.

O incidente ocorre dois dias depois de as forças armadas britânicas terem intercetado, pela primeira vez, um petroleiro ligado à chamada frota sombra da Rússia no Canal da Mancha, segundo o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer. As autoridades não estabeleceram qualquer ligação entre os dois acontecimentos.

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