Ataques incendiários contra propriedades de Keir Starmer tiveram origem russa

16 jun, 16:04
Keir Starmer (AP)
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De acordo com a investigação, os ataques incendiários eram apenas uma parte de uma operação muito mais ampla

Uma investigação citada pela BBC concluiu que a campanha de ataques incendiários que teve como alvo propriedades do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, poderá fazer parte de uma operação mais vasta de sabotagem e desinformação alegadamente dirigida a partir de Moscovo.

Os ataques ocorreram no ano passado, no norte de Londres, e atingiram um Toyota RAV4 anteriormente pertencente a Starmer, bem como as entradas de duas das suas propriedades.

No processo judicial, o tribunal de Old Bailey condenou o cidadão ucraniano Roman Lavrynovych, de 22 anos, e o romeno de origem ucraniana Stanislav Carpiuc, de 27, por conspiração para cometer incêndio criminoso. Já Petro Pochynok, de 35 anos, foi absolvido.

As provas apresentadas indicam que Lavrynovych terá sido recrutado através da aplicação Telegram por um interlocutor de língua russa identificado apenas como “EL”, que o foi orientando em tarefas cada vez mais graves, desde atos de vandalismo até aos incêndios ocorridos ao longo de cinco dias em maio.

De acordo com a investigação, os ataques incendiários eram apenas uma parte de uma operação muito mais ampla. Os alegados organizadores terão recorrido a redes sociais e ao Telegram para coordenar ações à distância, utilizando falsas comunidades de extrema-direita e grupos que se apresentavam como muçulmanos para fomentar divisões e criar instabilidade no Reino Unido. A embaixada russa rejeitou qualquer tentativa de associar Moscovo ou o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo a atividades ilegais.

A BBC identificou o alegado recrutador como Evgeny Lyukshin, de 23 anos, filho de um alto responsável russo. Segundo a investigação, o suspeito exaltava repetidamente Vladimir Putin, promovia narrativas favoráveis ao Kremlin e incentivava ações violentas.

Entre as mensagens analisadas, constam ofertas de recompensas de cerca de mil dólares por ataques, promessas de cidadania russa e referências a documentos alegadamente provenientes da NATO e da CIA.

A investigação conclui ainda que operacionais russos terão criado uma rede de grupos online falsos, incluindo organizações como “Direct Action UK” e “Takbir Foundation”, usadas para recrutar colaboradores pagos e coordenar ações extremistas em território britânico.

Embora a polícia antiterrorista britânica defenda não possuir ainda provas suficientes para identificar formalmente “EL” ou atribuir judicialmente a operação ao Estado russo, fontes de segurança em Londres e Kiev consideram, em privado, que Moscovo esteve por detrás da campanha.

O antigo secretário da Defesa britânico, Ben Wallace, classificou a alegada operação como uma “escalada muito deliberada” contra o Estado britânico, considerando que uma ação desta natureza dificilmente avançaria sem aprovação dos níveis mais elevados do poder russo.

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