Marcelo pondera convocar Conselho de Estado no caso de uma eventual "tomada de posição adicional" de Portugal em relação à invasão da Ucrânia

Agência Lusa , BMA
3 mar, 21:18
Marcelo Rebelo de Sousa (TIAGO PETINGA/LUSA)

"A opinião pública, dentro desta ideia de abraçar a causa, quer mais, imediatamente. Há que pensar naquelas pessoas de carne e osso que estão nesse panorama de guerra"

O Presidente da República afirmou esta quinta-feira que pondera vir a convocar o Conselho de Estado "em tempo oportuno" no caso de uma eventual "tomada de posição adicional" de Portugal em relação à ofensiva russa militar na Ucrânia.

"Eu pondero, em tempo oportuno, uma convocação do Conselho de Estado. Mas em tempo oportuno, num momento em que faça sentido, na sequência do Conselho de Estado, haver qualquer tomada de posição adicional, complementar, relativamente àquilo que tem sido feito e dito pelo senhor primeiro-ministro, pelo senhor ministro dos Negócios Estrangeiros, pelo senhor ministro da Defesa Nacional, e também pontualmente pelo Presidente da República", acrescentou.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, "a comunicação social quer, em tempo real, transmitir, nomeadamente aos portugueses, o que se está a passar, o que está a ser discutido, o que está a ser preparado e as posições a adotar, mas é a prudência que aconselha, para o objetivo fundamental que é a obtenção da paz, que isso leve a uma contenção naquilo que se diz", argumenta.

"A opinião pública, dentro desta ideia de abraçar a causa, quer mais, imediatamente. Há que pensar naquelas pessoas de carne e osso que estão nesse panorama de guerra, naquilo que se vai vivendo, e como isso exige uma prudência, uma sensatez, uma contenção da parte dos responsáveis", reforçou.

O Conselho de Estado, órgão político de consulta do Presidente da República, reuniu-se pela última vez a 3 de novembro do ano passado.

Marcelo Rebelo de Sousa, que falava no final de uma visita a um pavilhão da Polícia Municipal de Lisboa que está a ser preparado para acolhimento de emergência de refugiados ucranianos, defendeu que neste momento os responsáveis políticos a nível global se devem conter nas suas declarações, em nome da procura da paz.

Sem nomear ninguém, o chefe de Estado observou: "Pode haver naturalmente exceções - e há exceções que se percebem - quando se trata de países que estão a braços com períodos eleitorais e em que há uma solicitação maior em termos de esclarecimento ou de intervenção". 

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