Há semicondutores de frigoríficos e máquinas de lavar nos tanques russos

12 mai, 05:26
Tanque russo destruído numa estrada para Kiev. AP Photo/Efrem Lukatsky, File

Secretária do Comércio dos EUA diz que embargo de componentes tecnológicos a Moscovo está a condicionar capacidade militar do Kremlin. Exportações americanas de tecnologia para a Rússia caíram 70% desde o início da guerra

 

As sanções ocidentais à Rússia estarão a ter impacto direto na capacidade militar do Kremlin. Segundo a secretária (o equivalente a ministra) ministra do Comércio dos Estados Unidos, Gina Raimondo, a Rússia está a utilizar semicondutores retiradas de eletrodomésticos como máquinas de lavar loiça e frigoríficos em algum equipamento militar.

Citando informações de fontes da Ucrânia, Raimondo disse que, quando os ucraniano “encontram equipamento militar russo no terreno, este está cheio de semicondutores que retiraram das máquinas de lavar louça e frigoríficos".

A revelação foi feita na quarta-feira, numa audiência no Senado. A governante norte-americana não nomeou a sua fonte, mas lembrou aos senadores que se encontrou recentemente com o primeiro-ministro ucraniano.

Mais tarde, a porta-voz do Ministério do Comércio revelou que a informação sobre os semicondutores veio de responsáveis ucranianos. Segundo estes contaram à secretária do Comércio, quando abriram os tanques russos capturados, encontraram peças de frigoríficos e maquinaria comercial e industrial que parecem compensar outros componentes de ponta a que a Rússia deixou de ter acesso. 

"A nossa abordagem foi negar a tecnologia russa - tecnologia que paralisaria a sua capacidade de continuar uma operação militar. E é exatamente isso que estamos a fazer", congratulou-se a secretária do Comércio, falando sobre o efeito dos controlos de exportação.

Raimondo citou ainda relatórios recentes, segundo os quais dois fabricantes russos de tanques e veículos de combate tiveram de interromper a produção devido à falta de componentes.

De acordo com os últimos dados citados por Gina Raimondo, cujo departamento controla as exportações norte-americanas, as vendas de tecnologia dos EUA para a Rússia caíram quase 70% desde que as sanções começaram, em finais de Fevereiro. Outras três dezenas de países adotaram proibições de exportação semelhantes, que também se aplicam à Bielorrússia, o aliado mais próximo de Moscovo.

A Rússia tem pouco know-how no fabrico de semi-condutores, sobretudo no caso de chips mais complexos, e é tradicionalmente dependente das importações de fabricantes asiáticos e ocidentais. Grandes produtores globais de chips, como Taiwan, o Japão ou os EUA, deixaram de os vender a Moscovo. Primeiro foi proibida a venda de chips de uso militar, mas o embargo acabou por se estender a componentes de dupla utilização, que têm aplicações militares e comerciais. Mesmo clientes não militares na Rússia estão abrangidos pelo embargo.

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