Responsável russo diz que Moscovo vai estar ao lado da China em caso de guerra em Taiwan (e espera que o contrário aconteça)

CNN Portugal , FMC
2 ago, 23:58
Xi Jinping e Vladimir Putin

As declarações são feitas à margem da visita de Nancy Pelosi a Taiwan, que pode motivar uma reaproximação da China à Rússia

Um importante político da Rússia afirmou, esta terça-feira, que a Rússia não tem motivos para recusar ajudar a China caso ocorra um conflito armado em Taiwan. Basta o país asiático pedir.

Durante uma entrevista ao canal russo Solovyov Live, Vladimir Dzhabarov, vice-diretor do Comité Internacional para o Conselho da Federação Russa afirmou que “não vê motivos para recusar ajudar a China, mas que gostaria de ver um gesto de dois sentidos com o país. Isto significa que a Rússia deve ter alguns benefícios desta cooperação”, citado pela agência russa TASS

“Em princípio, nada é impossível. Compreendemos que por vezes é um jogo de sorte e que um conflito pode transformar-se numa grande guerra. Contudo, penso que a China está a comportar-se muito cautelosamente neste sentido, de uma forma muito contida, mas continua a construir o seu potencial de defesa. Estou convencido que, neste caso, a China espera uma certa assistência da Rússia”, afirmou, quando questionado sobre os riscos de um conflito armado em Taiwan.  

O responsável acrescentou ainda que, após a visita da presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, é provável que a China se aperceba que deve continuar a aproximar-se da Rússia "porque será difícil para a China enfrentar os Estados Unidos sem o apoio da Rússia”.  

As declarações proferidas por Dzhabarov vão ao encontro da análise concretizada por especialistas à CNN Portugal sobre a temática. “É que, deste extremar de posições, Pequim vai lançar cada vez mais os braços à Rússia”, explicou o major-general Agostinho Costa, destacando, ainda, a forma como o Kremlin seguiu a retórica chinesa e acusou a administração Biden de “destabilizar o mundo” com esta visita.

A terceira figura dos Estados Unidos chegou esta terça-feira a Taiwan, apesar de Pequim ter ameaçado com “consequências desastrosas” caso tal acontecesse. Esta é a primeira visita de um alto funcionário norte-americano à ilha nos últimos 25 anos, e ocorre numa altura de intensa tensão entre os EUA e a China. Aquando da chegada, Pelosi referiu que a visita tem como propósito "reafirmar o apoio a um parceiro e promover interesses comuns, incluindo um Indo-Pacífico livre e aberto".

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