Ucrânia: chefe da diplomacia da União Europeia contra negociações "sob pressão" russa

Agência Lusa , RL
13 jan, 11:54
Josep Borrell

Josep Borrell afirmou que as manobras militares russas junto à fronteira com a Ucrânia fazem “parte da pressão” de Moscovo

O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, comentou esta quinta-feira, em Brest, França, que as manobras militares russas junto à fronteira com a Ucrânia fazem “parte da pressão” de Moscovo, e defendeu que não se deve “negociar sob pressão”.

Em declarações à entrada para uma reunião informal de ministros da Defesa da União Europeia, que compreende um encontro conjunto com os ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27, o Alto Representante da UE para a Política Externa e de Segurança rejeitou ainda a ideia de que a Europa esteja excluída das conversações, saudando o que classificou como uma “cooperação perfeita” com os Estados Unidos nesta matéria.

Questionado sobre o facto de, na quarta-feira, a Rússia ter realizado mais manobras militares junto à fronteira com a Ucrânia, no mesmo dia em que dialogava com a Aliança Atlântica, no Conselho NATO-Rússia, Josep Borrell respondeu que tal “faz parte da pressão”.

“E não devemos negociar sob pressão, mas é esta a situação que temos”, acrescentou Borrell, que na quarta-feira à noite presidiu a um jantar de trabalho dos ministros da Defesa que contou com a participação do secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg.

O Alto Representante fez depois questão de sublinhar que, ao contrário do que “muitos dizem”, a Europa não está excluída das conversações em curso em busca de uma solução pacífica, já que, embora efetivamente não tenha estado sentada à mesa das negociações em Genebra, tem estado em estreita cooperação com os Estados Unidos, principal interlocutor de Moscovo, e tem a garantia de que

“Muitos disseram que a Europa está à parte, que a Europa não participa, que a Europa não está à mesa. Mas a verdade é que desenvolvemos com os Estados Unidos por estes dias uma coordenação extremamente próxima, há contactos como nunca tivemos com os Estados Unidos, e temos a garantia de que nada será decidido ou mesmo negociado com os russos sem uma cooperação estreita com a Europa e sem a participação dos europeus”, declarou, concluindo que a colaboração com a administração norte-americana nesta matéria pode mesmo ser considerada “perfeita”.

As tensões a Leste dominam as reuniões informais de ministros da Defesa e dos Negócios Estrangeiros que decorrem em Brest, as primeiras da atual presidência semestral francesa do Conselho da UE, nas quais Portugal está representado pelos ministros João Gomes Cravinho e Augusto Santos Silva.

Na reunião conjunta a ter lugar hoje num almoço de trabalho, num formato conhecido como «Jumbo», os ministros vão também discutir a chamada «Bússola Estratégica», documento orientador da nova política de Defesa da UE, que deverá ser adotada pelos chefes de Estado e de Governo da União em março próximo.

Da parte da tarde, e concluída a reunião informal de ministros da Defesa, os chefes de diplomacia dos 27 vão discutir entre si as tensões nas fronteiras a Leste, com natural destaque para a escalada entre Rússia e Ucrânia, que faz temer um conflito militar.

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