opinião

Invasão russa da Ucrânia? "Aprendi a desconfiar de conflitos com data marcada"

14 fev, 13:27

Ex-ministro da Defesa diz-se convicto de que a Ucrânia gostaria que a ameaça de invasão da Rússia "passasse o mais rápido possível". E avisa para as eventuais consequências económicas e financeiras na Europa em resultado de um conflito entre Rússia e Ucrânia

Azeredo Lopes, ex-ministro da Defesa, comentou esta segunda-feira os últimos desenvolvimentos do conflito entre Rússia e Ucrânia, sublinhando que só numa lógica de "irracionalidade" é que seria possível estar já a marcar uma data para a invasão russa do território ucraniano. 

"Aprendi a desconfiar de conflitos com data marcada", frisou o comentador da CNN Portugal, apelando ao bom-senso que diz ter visto, por exemplo, na comunicação do Ministério dos Negócios Estrangeiros português, que pediu apenas retirada do país devido à tensão militar crescente, ao contrário do que tem acontecido com informações provenientes de outros países, nomeadamente dos Estados Unidos da América, que têm constantemente alertado para um conflito iminente nos próximos dias.

"Discutirmos se vai ser antes ou depois dos Jogos Olímpicos, dia 16, 17 ou 18, está a ter consequências políticas mas também securitárias no contexto europeu", alertou Azeredo Lopes. 

"A convicção mais funda que eu tenho é de que a Ucrânia gostaria que isto passasse o mais rápido possível, uma vez que esta situação de impasse em que a Ucrânia começa a ser apresentada como terra queimada, em que há países que abandonam as instalações diplomáticas sempre que se anuncia um cataclismo, tem consequências quer ao nível da mobilidade quer ao nível das transações comerciais", afirmou Azeredo Lopes, recordando que desde a agressão russa na Crimeia em 2014 que a Ucrânia ficou "no fio da navalha" em termos de estabilidade democrática mas também económica. 

O ex-ministro da Defesa acrescenta ainda que, a partir do momento em que houvesse forças russas em território ucraniano "desencadear-se-ia uma espécie de tempestade perfeita do ponto de vista económico e financeiro" e que os efeitos - "e é bom que tenhamos uma noção humilde disso", frisou - atingiriam todo o continente europeu, nomeadamente ao nível da inflação e do aumento de preços.

Azeredo Lopes destacou ainda que o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky tem insistido que "era preciso não ajudar tanto a Ucrânia" porque isso provoca um efeito contrário à estabilização na região, pedindo repetidamente que não se lance o pânico entre a população. Sobre os objetivos da Rússia numa eventual invasão, o ex-ministro diz que Putin pretende que a Ucrânia continue a ser uma "soft belly", "uma espécie de barriga mole do ponto de vista da segurança", acrescentando que o presidente russo "não quer mais um hardliner junto das suas fronteiras". 

O comentador reflete ainda sobre a questão da NATO, dizendo que a adesão da Ucrânia, um país parceiro da Aliança Atlântica, não seria "tão simples como podemos imaginar", uma vez que, em resultado do Artigo 5.º, obrigaria os estados membros da NATO "a muitíssimo mais do que simples solidariedade ou aplicação de sanções económicas", ou seja, faria com que se envolvessem num conflito armado que fosse provocado por uma invasão do solo ucraniano.  

"É bom termos noção calma e serena de que qualquer coisa que façamos tem consequências", sublinhou o antigo ministro da Defesa. 

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