Rendimento universal junta Sócrates e Salgado ao debate Livre-Chega. Joacine foi o ‘fantasma’ de serviço

5 jan, 23:05

Ventura explorou o divórcio entre Joacine Katar Moreira e o Livre para desvalorizar o confronto com Rui Tavares e com o seu programa "absurdo". Mas o fundador do Livre também desenterrou ‘esqueletos’ a Ventura, o "candidato do sistema". A corrupção acabou por se tranformar no motor do confronto

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Rendimento Básico Incondicional. É esta a proposta do Livre que incendiou o debate com André Ventura. Na prática, o partido de Rui Tavares quer “testar” um valor mínimo para toda a população. Mas o presidente do Chega logo encontrou dois beneficiários que deixariam muitos portugueses desconfortáveis.

“O José Sócrates estaria a receber o seu Rendimento Básico Universal. O Ricardo Salgado estaria a receber o seu Rendimento Básico Universal”, atirou Ventura.

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E, com esse embalo, continuou o ataque com outra das propostas do adversário: o subsídio de desemprego para quem se despede. “Quer destruir a economia. É o programa mais irresponsável que vimos”, classificou.

Vídeo: o essencial do debate em três minutos

Rui Tavares foi tomando notas para, ao longo do debate, ir desenterrando ‘esqueletos’ a Ventura, o “candidato do sistema” apoiado por políticos, empresas e “clubes de futebol”. E, neste campo, surgiu um nome muito caro a Ventura, benfiquista ferrenho. “Esta coluna é a das dívidas que estamos a pagar de Luís Filipe Vieira”, atirou, para fazer uma comparação com os custos do Rendimento Social de Inserção (RSI). Esse apoio que tem sido citado por Ventura em todos os debates. Mas que, neste em concreto, serviu apenas como motivo de gozo. “Pensei que iria ser um pouco mais inteligente”, atirou o presidente do Chega.

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As acusações seguiriam depois sobre as medidas de cada partido no campo da corrupção. “Qual foi a proposta que o Livre apresentou sobre corrupção? É esta, uma folha em branco”, começou o líder do Chega. Para ver Rui Tavares, uma vez mais, alegar-lhe interesses escondidos:

“Na altura de escolher a quem quer dar o corte de impostos, vai escolher beneficiar aqueles que o beneficiam”.

Mas o confronto, intenso como se vê e lê, haveria de surpreender num outro polo. Rui Tavares lembrou que, afinal, há algo que partilha com Ventura: os ensinamentos do professor António Hespanha, que descartava “a utilidade da duplicação de penas”, como quer o líder do Chega. “Na altura, se calhar, não era tão faltoso como na Assembleia da República”, ironizou o cabeça de lista do Livre por Lisboa. Ventura manteve-se inflexível: “no crime económico funciona o aumento de penas”.

Nenhum dos lados perdeu oportunidades para passar ao ataque (Foto: Armanda Claro / Media Capital)

Joacine, o ‘fantasma’ (des)esperado

Este foi um debate em que, de facto, se discutiram programas eleitorais. Nem que fosse para, de parte a parte, os deitar abaixo. “O seu programa é o maior absurdo que está nestas eleições legislativas”, atirou Ventura. Tavares não ficou sem resposta:

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“Percebo que André Ventura não quer falar do programa dele. Tem nove páginas. Não é uma coisa que se deva apresentar ao país”. “É um programa do século XIX”, que fala "zero vezes" de temas como o interior, o ambiente ou a violência doméstica, resumiu.

Mas, para lá das propostas concretas, um ‘fantasma’ haveria de percorrer todo este frente a frente. Só na fase final é que o deputado único do Chega lhe deu nome: Joacine Katar Moreira, a parlamentar que levou o Livre à Assembleia da República mas que dele havia de se separar poucos meses depois.

Ventura entrou a pés juntos, ainda o cronómetro ia baixo: “o Rui Tavares não devia estar aqui, primeiro porque o Livre não tem representação parlamentar. Só está aqui por causa de uma lei anacrónica”. E havia de enterrar (ainda) mais o adversário:

“Ao contrário do Rui Tavares, o Chega esteve no Parlamento”.

A cada proposta debatida, incluindo a de “devolver a arte às colónias”, era o nome de Joacine que vinha à baila. O combate ao racismo foi, para Ventura, o único tema que o Livre levou ao Parlamento. E até dele arranjou forma de tirar partido: “As sondagens são claras, estamos nos 10% dos votos. Não há 10% de fascistas nem racistas em Portugal”.

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Debate foi transmitido pela CNN Portugal (Foto: Armanda Claro / Media Capital)

Um ataque a Costa e um aviso a Rio

Ao longo dos últimos debates, Rui Tavares tem insistido na necessidade de um acordo assinado à esquerda. “Anda a vender-se ao PS de qualquer maneira”, lamentou Ventura.

Por muito que haja vontade de diálogo, António Costa não fica fora da mira do fundador do Livre.

“[O Livre] não está a chantagear o eleitorado para ter um poder absoluto”, afirmou.

Mas, se as eleições de 30 de janeiro trouxerem um novo protagonista – Rui Rio, entenda-se –, não há margem para qualquer diálogo. “Se a direita estiver no poder, nós estaremos na oposição”, garantiu.

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