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Colunista e comentador

Só falta dizer em Alvalade que Amorim é um infiltrado do Benfica

2 nov, 17:36
Sporting-Eintracht Frankfurt

Rui Santos escreve sobre a época falhada do Sporting… em Novembro. Aponta responsáveis e soluções

RÚBEN AMORIM está no olho do furacão, porque deixou que a sua equipa deixasse fugir o pássaro que, na Champions, teve na mão.

Pelo que (não) tem feito esta época já afirmei que “o Sporting não tem equipa de Champions”.

Isso parece claro…

… Mas, se não tem ‘equipa de Champions”, tem equipa para quê?

Já se viu, em Novembro (!), que não tem equipa para chegar ao título.

Já se viu, também prematuramente, ao cair aos pés do Varzim, que não tem equipa para a Taça de Portugal.

Terá equipa para a Liga Europa?

Terá equipa para a Taça da Liga?

Talvez a pergunta, em resumo, deva ser: o Sporting tem equipa?

A resposta, relativa, é que o Sporting tem equipa para pouco. E, como é isso possível, quando o Sporting em Maio de 2021, a duas jornadas do fim da Liga, havia conquistado o título de campeão nacional, colocando ponto final de um jejum de 19 anos?…

As respostas estão mais ou menos identificadas: a estrutura do Sporting — SAD e treinador — deixaram enfraquecer o plantel.

O plantel perdeu valor, com as saídas de PALHINHA e MATHEUS NUNES, principalmente, dois jogadores do meio-campo, já para não falar de NUNO MENDES , TIAGO TOMÁS, FEDDAL e TABATA, às quais se tem de juntar o fim do empréstimo de SARABIA, a embirração (para muitos) com SLIMANI e a lesão de DANIEL BRAGANÇA, a quem se atribui o papel para compensar as vendas do ‘miolo’, e não acrescentou valor… indiscutível.

Houve a convicção interna que os jogadores entretanto chegados iriam compensar as vendas e os empréstimos e isso não aconteceu: EDWARDS tem capacidade mas é muito pisca-pisca (acende e apaga), TRINCÃO às vezes é Trinquinho, ROCHINHA apaga mais do que acende, ST. JUSTE está sempre lesionado, é uma espécie de jogador dói-dói, MORITA é um jogador interessante mas não é melhor comparativamente aos que sairam, o grego ALEXANDROPOULOS parecia vir com os pulmões cheios de ar mas rapidamente esvaziou (-os), e depois há que juntar as intermitência e esse quebra-cabeças chamado… PAULINHO.

O Sporting planeou mal a época, avaliou mal as entradas e saídas e creio que isso tem a ver com um défice de diálogo e também de, como dizer?, deformação estrutural: HUGO VIANA está no meio de FREDERICO VARANDAS e RÚBEN AMORIM, cada qual, e necessariamente, com visões diferentes das situações (por isso um é presidente e outro é treinador).

Por isso não vale a pena colocar as responsabilidades para o território de cada um dos lados, porque o sucesso de uma equipa de futebol depende muito de coesão, comunicação e solidariedade e, neste caso, parece claro que todos são responsáveis.

Quem fez o planeamento? - esta é a questão primacial.

Não teve RÚBEN AMORIM conhecimento da intenção das vendas e não concordou com elas? Não teve os jogadores que indicou? Alguém lhe impingiu jogadores que não queria, por causa do negócio? Não se agarrou à ideia, com toda a legitimidade, diga-se, que não valia a pena alterar o seu sistema de jogo (faça sol ou chuva) e os jogadores indicados (e contratados) seriam suficientes para manter o nível e a eficácia?

(Outra questão: JORGE MENDES é um fantasma?).

Não foi ele, RÚBEN AMORIM, talvez por sentir que dessa maneira conseguiria afirmar mais facilmente as suas ideias e liderança, a querer trabalhar com uma percentagem de jogadores jovens?

Não vale a pena, agora, usar ou ironias ou explicações mal acabadas e a sensação de desconforto (inconfessado), porque as coisas são como são e a época do Sporting fracassou antes do Campeonato do Mundo.

O presidente e a SAD têm responsabilidades? Claro que têm, porque há uma cultura de exigência que não passa para fora, a qual marca muito (pela negativa) o futebol do Sporting.

Parece que andam todos sobre as nuvens e, com derrota ou vitória, é perfeitamente igual. Não pode ser. Eu disse um dias destes que o Sporting ‘não é o ‘Pim Pam Pum (FC)’, porque às vezes o futebol do Sporting parece um recreio, e um futebol sem ganas, um futebol que não morde e é demasiado contemplativo (em vez de ser competitivo; vejam os casos do FC Porto e do Benfica).

Nestes momentos as vozes dos adeptos e algumas vozes internas tornam-se radicais: não me parece que RÚBEN AMORIM esteja confortável e que a ligação com o Sporting dure muito, mas ao ponto de se dizer ou dar a entender que AMORIM é um infiltrado do Benfica - até pelo que disse recentemente do futebol dos encarnados e de ROGER SCHMIDT — é um enorme disparate e algo inaceitável.

RÚBEN AMORIM é um treinador muito inteligente, em começo de carreira. Não se pode apagar aquilo que ele já fez pelo Sporting, e foi muito, mas também não se podem apagar os erros.

Falhou com HUGO VIANA e FREDERICO VARANDAS o planeamento e há que assumir os erros. Não sei é se há predisposição anímica para trabalhar sobre os erros. RÚBEN AMORIM não tem de ser nem ‘sportinguista’ nem ‘benfiquista’. Tem de ser profissional e racional.

O Sporting precisa de uma nova cultura para o seu futebol (como SCHMIDT e CONCEIÇÃO deram ao Benfica e FC Porto, apesar de alguns défices) e não sei se haverá a tal predisposição anímica para, em Alvalade, se corrigirem os erros e deitar as mãos à obra. Para isso é preciso nervos de aço e uma harmonia que neste momento não existe.

Há uma sensação de ligação esgotada e até janeiro é preciso tomar decisões. A pior coisa que o Sporting pode fazer é achar que os árbitros são maus, que os orçamentos fazem a diferença (não fazem pois não, Casa Pia?) e que há uma certa inevitabilidade nesta sensação de fracasso desportivo.

O leão não pode ser mais este camaleão fofinho que temos visto a passear nos relvados, em 2022-23.

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