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As camisas de Martínez, as nódoas, o ferro de engomar e o pó-pó para Fátima

19 jun, 11:12
Roberto Martínez no Portugal-Chéquia (MIGUEL A. LOPES/Lusa)

Roberto Martínez foi ao armário e escolheu a primeira camisa.

Não sei o que lhe deu, mas aqui para nós escolheu umas das mais excêntricas.

Três botões junto ao colarinho, o Nuno Mendes naquela posição de central à esquerda não tinha sido engomado na Seleção, e por isso a sensação foi estranha, mas a verdade é que se entranhou e o Nuno Mendes, na primeira parte, nos seus movimentos de apoio, quer por fora quer por dentro, foi uma mais-valia inesperada.

E até conseguiu dar nota de que a excentricidade na falta de simplicidade podia não ser um problema. Mas, por favor, não volte a fazer isso.

Foi preciso a Chéquia marcar para Martínez tirar o desabotoado Dalot do jogo e aí, se o botão junto ao colarinho não constituiu problema, quando o botão avançou umas ‘casas’ no corredor, o ferro de engomar fez o seu trabalho.

Nuno Mendes não foi a nódoa, esteve até no golo da igualdade (uma camisa vincada é logo outra coisa), mas as entradas de Diogo Jota e Gonçalo Inácio melhoraram o comportamento global da equipa.

As nódoas desta primeira camisa utilizada foram o posicionamento e as dinâmicas de Dalot e Cancelo — e vontade de complicar por parte de Martínez tem de ser evitada na utilização da segunda camisa.

Ó Martinez, coloque uma camisa branca, deixe uma folguinha no colarinho e, na tábua de engomar, deixe que o ferro faça o seu trabalho, com água destilada e o vapor que Vitinha e Bruno Fernandes conseguirem dar.

Por favor, não invente e deixe-se de equações matemáticas complicadas. Flua. Deixe a Seleção fluir, com o tal compromisso defensivo que a equipa, no momento da recuperação da bola, chegou a demonstrar, com brio na primeira parte.

Utilize lá, agora, o anti-nódoas “Martínez”. Não parece difícil: regresso do 4.3.3, com Pepe e Rúben Dias no eixo da defesa, Cancelo à direita e Nuno Mendes na esquerda, Palhinha na sua posição de “caçador” (faz todo o sentido com a Turquia) e pense lá se, neste momento, não fará mais sentido explorar o que Francisco Conceição, como agitador, pode dar à Seleção.

É uma questão de “spray” e de não complicar. Queremos que utilize as 7 camisas e queremos que vá a Fátima. Mesmo que seja de pó-pó.

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