opinião
Colunista e comentador

Os intocáveis da Seleção: vamos lá a ver onde se situam os interesses de Portugal! Até a Deborah Secco percebe isto, não é verdade?

20 jun, 13:30
Portugal (UEFA/Fernando Santamaria)

A Seleção é também uma forma de poder. E o povo já percebeu que a forma dos jogadores é apenas uma fatia do que determina quem é convocado, quem joga, quem fala, quem é utilizado e quem não é.

tentei explicar que há uma diferença entre aquela que é a “Seleção do Povo”, com base acima de tudo no rendimento dos jogadores, e a Seleção que é o produto de interesses que gravitam à volta dela.

Discute-se muito o que é melhor para a Seleção, quem está em boas condições técnicas, físicas, clínicas e mentais para alavancar o rendimento global do conjunto que entra em campo a defender as cores de Portugal, mas o povo já percebeu que a “forma” dos jogadores é apenas uma fatia do “bolo” que determina as principais decisões: de quem é convocado, de quem joga, de quem fala, de quem é utilizado e de quem não é.

A Seleção é também uma forma de poder. E o selecionador, que também é treinador, às vezes fica na plataforma do gestor, do político e da diplomacia.

Não é um bom princípio, mas é o que é.

Deste lado da cortina, e portanto do lado de quem apenas quer ver a “Seleção Nacional” a reflectir meritocracia desportiva (acima de tudo), as componentes político-empresarias são muito difíceis de compreender e aceitar.

tenho dito que, mesmo com 39 anos e portanto já não fazendo naturalmente o que fazia com menos 10 anos, mas mostrando ainda um indiscutível grau de eficácia, na sequência de uma época que só por capricho se pode colocar em causa, a convocatória e a titularidade iniciais de Cristiano Ronaldo, neste arranque do Europeu, não são tema.

O que não deve significar, a partir daqui, que Cristiano Ronaldo não tenha de ser gerido, desportivamente (nos planos físico e táctico), para além daquilo que já sabemos: o impacto mediático, o foco que ele representa para os adeptos (e não apenas para os portugueses), com enormes benefícios na área comercial (marketing, anunciantes e outros fornecedores) — para a FPF e para a própria imagem de Portugal.

E é aqui que entra o papel de Martínez: como gestor (o papel de selecionador esgotou-se no momento da convocatória para o Euro), mas também como treinador.

Pepe é importante para o grupo na cabina e teve uma boa prestação dentro do campo. OK. Mas tem 41 anos e há uma gestão física/clínica que é preciso não desprezar.

Bernardo Silva? Eu tenho um apreço enorme pelo que ele é e representa para o futebol português (baptizei-o como “o jogador mais inteligente do Mundo”), mas a… inteligência obriga-nos a considerar que, depois de uma época exigente, Bernardo não está num nível de forma compatível com as suas qualidades e, por isso, também por isso, a partir daqui — do jogo com a Turquia — não devem existir… intocáveis.

Vamos lá a ver onde se situam (reais) os interesses de Portugal, fazendo de conta que não percebemos que um Campeonato da Europa é muuuuuuuito mais do que uma prova puramente desportiva.

Na questão dos (não) intocáveis, até a Deborah Secco percebe isto, não é verdade?…

Colunistas

Mais Colunistas

Patrocinados