Rui Rocha recusa tirar ilações após chumbo da alteração dos estatutos

Agência Lusa , PP (atualizado às 14:08)
7 jul, 11:36
Rui Rocha (Manuel Fernando Araújo/Lusa)

Presidente da Iniciativa Liberal salientou que a proposta da oposição interna "foi derrotada por uma maioria significativa dos presentes".

O presidente da Iniciativa Liberal, Rui Rocha, recusou-se hoje a retirar ilações e conclusões sobre a sua liderança e o papel da direção após a proposta de estatutos que apoiava ter sido chumbada no sábado.

"Eu não creio que de uma discussão estatutária haja conclusões a tirar sobre seja lá o que for do ponto de vista da direção, da condução, ou dos pretendentes à condução do partido", disse hoje Rui Rocha à chegada à VIII Convenção Nacional da IL, que termina hoje em Santa Maria da Feira (distrito de Aveiro).

Por outro lado, Rui Rocha salientou que a proposta da oposição interna "foi derrotada por uma maioria significativa dos presentes".

"Não creio que discussões estatutárias tenham qualquer leitura para qualquer dos lados, mas, se tiverem, tem a ver com a derrota de uma moção que foi apresentada e derrotada maioritariamente nesta convenção", frisou.

Rui Rocha rejeitou também abrir um novo processo de discussão estatutária até ao final do seu mandato, por não acreditar que "haja energia suficiente para os liberais, e também para os senhores jornalistas, acompanharem muitas mais reuniões desta natureza".

A VIII Convenção Nacional da IL termina este domingo, em Santa Maria da Feira, com a votação do programa político e a intervenção do líder, Rui Rocha, um dia depois de falhar o objetivo de aprovar novos estatutos.

No sábado, foi a incapacidade das duas propostas em discussão de alcançar a maioria qualificada de dois terços nas duas votações que fez com que a IL saísse de Santa Maria da Feira com os mesmos estatutos que entrou, após um dia inteiro a apresentar e debater estas duas visões.

Em votação estavam a proposta do Conselho Nacional, afeta à direção e que resultou de um grupo de trabalho, e uma outra de um conjunto de opositores internos, entre os quais o ex-candidato presidencial Tiago Mayan Gonçalves e o antigo presidente liberal Miguel Ferreira da Silva.

Cotrim avisa que partido não ganhou um voto e precisa de mudar forma de comunicar

O antigo líder liberal Cotrim Figueiredo avisou que a IL não ganhou um voto com a convenção deste fim de semana, defendendo que o partido precisa de mudar a forma de “fazer e comunicar política”.

“Ao longo destes dias demos vários exemplos de estarmos às vezes fechados na nossa própria cabeça. É como se um liberal acabasse no pescoço e não passasse para o resto do corpo. Há uma espécie de racionalismo. Eu vou chamar mesmo hiperracionalismo que é muito limitador da ação política”, disse o recentemente eleito eurodeputado num discurso que fechou os trabalhos da parte da manhã do último dia da VIII Convenção Nacional da IL, em Santa Maria da Feira.

Segundo João Cotrim Figueiredo, “apesar da cobertura da comunicação social” que a reunião magna teve ao longo dos dois dias, "este hiperracionalismo leva a crer" que o partido não ganhou “nenhum voto neste fim de semana”, o que deve fazer os liberais refletir.

“Vou citar Lenine, aliás vou parafrasear Lenine e dizer-vos, talvez mesmo alertar-vos que 'o hiperracionalismo é a doença infantil do liberalismo'”, disse.

Para o antigo presidente da IL, são precisas “ideias e melhores ideias que inspirem”, mas é também necessário que o partido se apresente e comunique “de forma inspiradora”.

“Não é mudar o povo que precisamos, é mudar a nossa forma de fazer e comunicar politica. Precisamos de inspirar as pessoas”, defendeu.

Partidos

Mais Partidos

Patrocinados