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Rio deve um pedido de desculpas a Moreira ‒ e a si próprio

21 jan, 20:04

Se Rui Rio estivesse armado com uma só bala diante de dois alvos ‒ respetivamente pintados de Rui Moreira e de Ministério Público ‒ alvejaria qual? Hoje, talvez nem o próprio saiba. Mas durante as autárquicas os cidadãos do Porto souberam-no ‒ e bem

Repetidamente, o presidente do PSD contaminou a candidatura de Vladimiro Feliz com uma campanha pessoal e visceral contra Rui Moreira, acusando-o de “não ser confiável”, de “ter interesses imobiliários” incompatíveis com a presidência da Câmara e de “fazer negócios em benefício pessoal”. Rio disse tudo isto sem Moreira ser condenado em tribunal, tomando a Justiça pelas mãos e o Estado de Direito pelos pés, utilizando ativamente um processo judicial como arma política.

Os “julgamentos de tabacaria” e as “condenações na praça pública” que tanto critica foram, nas eleições locais de setembro passado, protagonizados pelo próprio.

Quando, nos finais de 2021, o semanário Expresso o questionou sobre a diferença entre o caso do seu secretário-geral, que foi já a julgamento por falsidade informática, e o de Moreira, Rio clamou “conhecer o dossiê” Selminho. “O meu juízo não é em função das acusações. É em função do que eu sei.” Quando o jornal insistiu e lhe perguntou se não estava a substituir-se à Justiça, Rio contrapôs com ter antes exercido o cargo de Rui Moreira. “Estamos a falar da Câmara do Porto, em que eu fui presidente 12 anos. Acha que eu não sei?” Um argumento absolutamente impraticável, que conferiria ao antecessor de qualquer político o poder de o julgar sumariamente ‒ e arbitrariamente ‒ ao abrigo de qualquer antipatia ou rivalidade. Imaginemos só o que não seria, pelo país fora, se cada autarca que perdesse o lugar ganhasse automaticamente a autoridade de lançar suspeitas sobre quem lhe sucedesse.

A absolvição de Moreira, hoje ocorrida, torna-se assim uma derrota que Rui Rio infligiu a si mesmo. Com as sondagens a darem-no cada vez mais como favorito a ocupar a cadeira de primeiro-ministro a seguir a António Costa, a queda dos mitos que sustentam a sua persona política é perigosa ‒ para as suas ambições e para o futuro do país. Rio, para seu mal e para o nosso, é alguém cujas qualidades servem os seus defeitos. Não é determinado, é obsessivo. Não é corajoso, é errático. Não tem princípios, tem ódios de estimação. Não tem ideias, tem obsessões.

Rosa Mota não tem razão ‒ nem noção ‒ ao apelidá-lo “nazizinho”, o que não deve impedir ninguém de escrutinar as deficiências democráticas de Rui Rio. Depois de meses de insinuações comprovadamente infundadas, o mínimo que se lhe exige é um pedido de desculpas a Rui Moreira e à cidade que o elegeu ‒ algo que, obviamente, não acontecerá.

O desfecho do caso Selminho é um alívio para o Porto ‒ e certamente para Moreira ‒, mas deveria alertar-nos a todos para a pequenez do homem que se aproxima de governar o país. Podem vesti-lo de “social-democrata”, meter like nas fotos do seu gatinho no Twitter e encolher os ombros perante o sorriso com que não responde a cada incoerência.

Mas, a 31 de janeiro, não digam que não foram avisados.

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