Rui Rio defende que sucessor de Lucília Gago deve vir "de fora" da magistratura do Ministério Público

Agência Lusa , BCE
11 jul, 14:29

O ex-líder dos sociais-democratas diz ter ficado "chocado" com o facto de Lucília Gago "não reconhecer que há problemas" no Ministério Público

O ex-presidente do PSD Rui Rio defendeu esta quinta-feira que o futuro procurador-geral da República (PGR) deve ser alguém de fora do Ministério Público (MP), criticando Lucília Gago e o corporativismo de um abaixo-assinado subscrito por centenas de procuradores.

“Apesar dos perigos que isso pode representar dentro da própria corporação, acho que é cada vez mais notório que tem de haver uma lufada de ar fresco e convinha que o perfil fosse de fora, desde que se queira fazer uma reforma de justiça. Não acho que isso seja o mais determinante, mas é tanto mais determinante quanto maior for a vontade de alterar do ponto de vista estrutural muito do seu funcionamento”, afirmou.

Em declarações aos jornalistas à saída de uma reunião entre alguns dos subscritores do “Manifesto por uma Reforma da Justiça em Defesa do Estado de Direito Democrático” e a Provedora de Justiça, Maria Lúcia Amaral, Rui Rio assumiu ainda que os signatários do manifesto não procuraram nem vão procurar reunir-se com a atual PGR, ao notar que isso “seria um ato com alguma hipocrisia” e sem utilidade e criticou a “falta de humildade” de Lucília Gago.

“O que me chocou mais foi o facto de Lucília Gago não reconhecer que há problemas e dizer, de forma que considero altiva, ‘Nunca pensei em demitir-me’. Eu não acredito nisso”, observou.

“Quando cumprimos mal fica bem pedir desculpa. Não resolve nada, mas fica bem e é um ato de humildade. Ali não há ato de humildade nenhuma, acho que se sente quase um órgão de soberania. O MP não é um órgão de soberania, mas gosta de se comportar como um Estado dentro de um Estado”, disse Rui Rio.

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