Rio olha para o PCP e gostava de ter no PSD gente como Jerónimo, o PCP olha para Rio e não gostava de ter nada do PSD

12 jan, 23:34

Depois de 25 minutos de debate, só algo uniu verdadeiramente João Oliveira e Rui Rio: António Costa. Porque ambos o culpam. No demais divergências profundas - incluindo sobre o lugar físico que o PCP ocupa no Parlamento

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Rui Rio gostava de ter no PSD mais pessoas "com a coerência de Jerónimo de Sousa", a quem desejou uma "recuperação rápida", mas em contrapartida sublinhou que o programa do PCP defende o mesmo que em 1975 - e por isso mesmo não há plataformas de proximidade. O debate PSD/PCP, que foi sereno e que mais sereno pareceu por ter sido realizado logo a seguir ao combate histriónico entre André Ventura e Francisco Rodrigues dos Santos, deixou também claro que do lado comunista não há qualquer empatia por nenhuma das propostas sociais-democratas: João Oliveira, que substituiu Jerónimo de Sousa no debate, fez questão não só de se afastar do PSD como também do PS: "Os problemas que hoje temos o PS não resolveu e o PSD também não [o] quer [fazer]".

O líder do PSD, após ter lido o programa eleitoral do PCP, diz que a única conclusão a que chegou é que existe um "mar de divergências" que os separa. "Tudo aquilo que o PSD defende o PCP defende exatamente o seu contrário." Se Rio quer mais iniciativa privada, menos impostos, menos dívida e menos "elefantes brancos" como a TAP, já o PCP quer o oposto disso tudo, disse o presidente do PSD. "Na Assembleia da República, o Bloco de Esquerda senta-se à esquerda e o PCP entre o Bloco de Esquerda e o PS. Lendo o programa do PCP, não percebo isso. É o PCP que deve estar à esquerda (...). Aquilo que o PCP coloca no seu programa é o mesmo que ir ler, de certeza absoluta, aquilo que defendia em 74,75 e 76."

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João Oliveira argumentou que o PSD não tem resposta para aquele que o PCP considera ser o grande problema de Portugal: salários baixos. Por isso o aumento geral dos vencimentos é a "grande solução". Mais: se "a sustentabilidade da Segurança Social", se "melhores pensões" e se o "acesso à habitação" são conquistas por concretizar, segundo o PCP, isso deve-se ao facto de as propostas apresentadas nesse sentido terem sido chumbadas por PS e PSD. Deixou ainda críticas ao facto de a prioridade no programa do PSD ser baixar o IRC. "Se a primeira coisa que decidir fazer for isso, faz mal. Porque fazendo isso assim (...) vai beneficiar sobretudo as grandes empresas (...). Quando olhamos para o programa do PSD encontramos propostas negativas, uma mão cheia de propostas duvidosas e propostas que não são para levar a sério."

Rio faz caricatura mas "não tem um traço muito fino"

A meio do debate, Rui Rio explicou que "é muito difícil" conversar com o PCP porque "querem sair do Euro, sair da União Europeia, não querem sair da NATO, até escrevem a dissolução da NATO, querem a nacionalização dos sectores básicos e estratégicos, querem restringir o capital estrangeiro". E lançou a questão: "Como é que metemos as nossas finanças públicas em ordem?". Respondendo à própria pergunta, o líder do PSD explicou que só as nacionalizações que os comunistas pretendem custariam "muito para cima" de 50 mil milhões de euros. "O projeto do PCP levaria à ruína económica." 

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Na resposta, João Oliveira conseguiu colocar o adversário a rir-se quando disse "como caricaturista não tem um traço muito fino". "A caricatura que fez do nosso programa não corresponde de facto a nada". O PCP quer que Portugal deixe de depender do estrangeiro e que consiga produzir internamente o que é essencial porque só assim, defendeu, se cria mais emprego e mais riqueza. "Não há medidas dirigidas às empresas que resolvam este problema. Nós temos de pôr o país a produzir com uma política económica orientada para aproveitarmos os recursos que temos cá e que precisamos para garantir o desenvolvimento do nosso país (...). As políticas do euro levaram ao desmantelamento do nosso aparelho produtivo." 

Numa nota final sobre este assunto, o social-democrata acusou o PCP de defender "o orgulhosamente só", mas "não o de Salazar", por se querer "afastar do mundo". 

O ponto em comum

No meio do "mar de divergências" houve um ponto em comum: António Costa foi o responsável pela atual crise política. João Oliveira disse que hoje "já ninguém tem dúvidas" de que a vontade do PS era ter uma maioria absoluta e "estava convencido" de que iria consegui-la. "E fez tudo para que não houvesse Orçamento do Estado aprovado para ter eleições."  "No meio de uma pandemia, o Governo não se comprometeu com uma única medida de reforço do Serviço Nacional de Saúde. Como é que se explica isto? O Governo não queria um Orçamento do Estado", insistiu. 

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Rui Rio interveio para dizer que "subscreve tudo". "Eu estou em total desacordo com aquilo que o partido comunista pediu ao Governo (...). Agora, quando o Governo e o dr. António Costa se meteram com o PCP, sabiam perfeitamente qual era a lógica de funcionamento do PCP, que é um partido coerente. Era expectável que o PCP fosse pedir o que pediu, fosse negociar o que negociou. [O PS] colocou-se na mão do partido comunista, agora não pode responsabilizar o PCP. A culpa é integralmente do Governo".

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