Tudo o que os aproxima ainda não é suficiente para os unir: Cotrim e Rio separados pelo Estado e pela pressa

10 jan, 22:20

Ambos mostraram-se unidos nos "diagnósticos" aos problemas do país mas não na forma de os resolver. Rio quer dar um passo de cada vez mas Cotrim tem mais pressa na mudança - e diz que falta rasgo ao PSD. A meio do caminho que os pode aproximar ou separar existe ainda o atalho das privatizações: Caixa Geral de Depósitos, TAP e RTP

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Rui Rio e João Cotrim de Figueiredo convergem num conjunto de desígnios, como a "redução dos impostos", "melhorar o sistema de ensino e o Serviço Nacional de Saúde (SNS)", mas o caminho até lá chegar é distinto, sobretudo no tamanho que o Estado ocupa. Ainda assim, o presidente do PSD afirmou no debate desta segunda-feira que "com tanto socialismo (...) uma convergência não é difícil", mas o líder do Iniciativa Liberal disse que falta "coragem" e "rasgo" ao PSD. 

Apesar dos pontos em comum, Rio decidiu começar o debate por deixar claro que os liberais e os sociais-democratas "são completamente diferentes em termos do modelo de sociedade". Se os primeiros querem menos Estado, os segundos têm-no como primeira prioridade.

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Por seu lado, Cotrim Figueiredo notou que não é apenas no caminho que a Iniciativa Liberal e o PSD divergem, mas é também na "urgência" e na "pressa" para que haja mudanças no país.  "Gostei muito de o ouvir porque, do ponto de vista dos diagnósticos, coincidimos e coincidimos muitas vezes. Mas depois não é só no caminho que divergimos, é na falta no sentido de urgência e de pressa que noto na parte do PSD e que me faz impressão dado o diagnóstico que fazemos (...) Há algo que tem de mudar e tem de mudar depressa".

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O liberal acusou ainda os sociais-democratas de "mexerem na saúde mas poucochinho, mexerem nos impostos mas poucochinho" e, por isso mesmo, a Rui Rio "falta ambição, falta até a coragem que já exibiu noutras circunstâncias da sua vida política".

O "mundo maravilhoso" dos impostos 

PSD quer descer o IRC nos primeiros dois anos da legislatura e mexer nos escalões do IRS nos dois anos seguintes. A Iniciativa Liberal dá prioridade ao imposto que atinge as famílias e não quer descidas progressivas - quer introduzir uma taxa única de 15%. Rio não concorda e disse que isso resultaria num "buraco orçamental". "Uma taxa única, toda a gente a pagar a mesma taxa, dá um buraco orçamental de todo o tamanho e dá também uma enorme injustiça (...) E no IRC a mesma coisa: nós propomos a descida do IRC de dois pontos e depois mais dois pontos e a Iniciativa Liberal quer baixar logo para 15% (..) É um mundo maravilhoso, só que o Orçamento não aguenta".

Na resposta, Cotrim de Figueiredo assegura que a taxa única de IRS "não é uma bizarria nem uma aventura radical" e disse ainda que o que falta ao PSD é acreditar que "uma redução fiscal produz crescimento". "Mas há aqui uma outra diferença. O PSD anunciou recentemente que dá preferência ao IRC versus o IRS. Acho que para as famílias portugueses era muito importante dar um sinal que desde já o IRS tem de começar a dar sinais de desagravamento", concluiu. 

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O trio das privatizações

A Caixa Geral de Depósitos, a TAP e a RTP: é este o trio que separa Rui Rio de João Cotrim de Figueiredo. Se para o liberal deveria ser tudo privatizado, para o social-democrata basta a TAP - mas com cuidado, porque o Estado pôs lá dinheiro que não se pode perder - e é por isso que o presidente do PSD não subscreve a frase "nem mais um tostão para a TAP". "A partir do momento em que o Governo já lá meteu perto de dois mil milhões, eu não posso dizer nem mais um tostão porque senão perco esses dois mil milhões. Tenho de dizer que agora é preciso capitalizar e a seguir privatizar", argumentou. No entanto, o líder da Iniciativa Liberal não discordou do raciocínio: "Acho que podemos estar em acordo sobre isso. Privatizar tão cedo quanto possível". 

Sobre a privatização da Caixa Geral de Depósitos, a primeira resposta de Rio foi "não concordo", mas depois também disse que "não é um dogma". Ou seja, se o banco público começar a apresentar prejuízos, então aí tem de ser privatizado. Mas, por enquanto, não é um problema.  "Neste momento não oferece problema. Tem uma excelente administração, foi bem escolhido o presidente (...) Agora, um banco de capitais públicos, com uma quota de mercado apreciável como tem a Caixa Geral de Depósitos, entendo que tem um papel a desempenhar na economia." 

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Porém, Cotrim Figueiredo entende que o sucesso do banco tem um único motivo: "Desde que foi intervencionado e levou uma injeção de quase cinco mil milhões de euros há poucos anos, o sucesso que teve deve-se ao facto de ter sido obrigado a seguir regras dos bancos privados".

Já sobre a RTP, Rio aplica o mesmo critério: é útil, mas "não pode acumular prejuízos como em tempos acumulou". "A RTP, pelo menos nos dois últimos anos, já deu lucro. Eu acho que é útil ter um canal público de televisão e de rádio porque são canais mais sóbrios, que têm a obrigação de ser isentos e até têm melhorado um bocadinho ao longo do tempo. Penso que prestam um serviço importante para a sociedade."

Cotrim, por seu lado, considera injusto que "qualquer português" tenha de pagar a RTP "mesmo que não tenha interesse em ver". "Não faz sentido". Defende, por isso, que o serviço público prestado pelo canal seja "contratualizado com operadores privados" como "acontece com grande sucesso em muitos outros países". 

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