CDS é a primeira opção do PSD para formar Governo, mas Francisco acusa Rio de "arranjinhos" com o PS

7 jan, 22:00

Ainda que sejam, segundo Rui Rio, dois partidos com "um historial em comum" existe pelo menos um calcanhar de Aquiles: a eutanásia

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No pré-match do debate já não estavam em plena sintonia. Se Rui Rio disse que não era necessário marcar diferenças, Francisco Rodrigues dos Santos, por seu lado, disse e fez exatamente o oposto. Quis vincar, desde o primeiro minuto, que o "único voto útil" para um eventual governo de direita em Portugal teria de ser no CDS, porque se os portugueses votarem no PSD correm o risco que esses votos "vão parar ao bolso de António Costa". 

Apesar de não irem coligados, Rui Rio deixou claro que se o PSD não conseguir uma maioria nas eleições de 30 de janeiro, a primeira opção para negociar e formar um governo é com CDS-PP e a segunda é a Iniciativa Liberal.

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"Se nós queremos realmente tirar o Dr. António Costa de primeiro-ministro, o voto útil é naturalmente no PSD. Isto não quer dizer que se o PSD ganhar as eleições e não tiver maioria, que aquele com quem mais facilmente nos podemos entender é o CDS. Disso não tenho dúvida nenhuma (...) Agora se vamos para a questão do voto útil, esse é no PSD porque esse é que garante que não há um governo PS", explicou. 

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Francisco Rodrigues dos Santos lembrou Rio que "o voto útil terminou nas legislativas de 2015" e assegurou aos eleitores que se votarem no CDS não haverá "nenhum tipo de arranjinho com a esquerda nem com a extrema-esquerda".

"Voto útil só conheço um. Se querem um governo de direita, os portugueses só podem votar do CDS, porque de facto abrimos a porta para que possa haver um entendimento com o PSD, de resto respeitando linhas azuis".

Num tom irónico, Rio fez uma proposta ao eleitorado: "Se não quiserem votar no PSD, podem votar no CDS, que isso eu aconselho". 

Uma linha azul chamada eutanásia

Ainda que sejam, segundo Rui Rio, dois partidos com "um historial em comum" existe pelo menos um calcanhar de Aquiles: a eutanásia. O CDS é totalmente contra, mas dentro do PSD existem 13 deputados, entre os quais Rio, que votaram favoravelmente das alterações da lei da morte medicamente assistida, uma vez que existia liberdade de voto.

"Aqui sim há uma diferença gigantesca do PSD para o CDS. O CDS é contra e o PSD é contra a eutanásia. A diferença é que o CDS impõe o voto e o PSD dá liberdade de voto. E nestas questões de consciência eu tenho um orgulho enorme em que o meu partido ao longo da história tenha dado sempre liberdade de voto (...) É importante não pela matéria concreta da eutanásia, porque aqui os partidos são iguais, são ambos maioritariamente contra, mas a questão da liberdade é absolutamente fundamental", esclareceu. 

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Na resposta, Francisco Rodrigues dos Santos disse que o CDS "não negoceia o valor da vida" e utilizou o argumento da liberdade apresentado pelo adversário para dizer que "a liberdade que dá aos seus deputados, não é a mesma liberdade que dá ao povo português", uma vez que Rio votou contra o referendo da eutanásia, apesar da maioria do PSD ter votado a favor. 

"O Dr. Rui Rio tem uma posição diferente da maioria e não vai mudar a sua convicção porque a maioria está de uma maneira", explicou o presidente dos sociais-democratas.

Não satisfeito com a fundamentação, o presidente do CDS lembrou Rio que os portugueses "não votam na consciência dos deputados", mas sim "em programas políticos". "O Estado deve cuidar e não deve matar". 

Mudando de assunto para a economia, Francisco Rodrigues dos Santos acusou Rio de ter um "PSD de esquerda" e apontou como medidas prioritárias uma "redução drástica" nas faturas da eletricidade e dos combustíveis para as empresas e famílias e ainda do gás natural para as empresas do setor da cerâmica. Referiu ainda que, ao contrário do que defende o adversário, deveria eliminar-se no imediato alguns escalões de IRS e diminuir cada uma das taxas. 

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O PSD, que apresentou esta sexta-feira o programa eleitoral, comprometeu-se em reduzir o IRS em 800 milhões de euros em 2025 e 2026 - 400 milhões em cada ano - através da redução das taxas de imposto. Nesse sentido, Rio explicou que "estrategicamente" se deve mexer primeiro na produção e depois no consumo e, por isso mesmo, decidiu dar prioridade nos dois primeiros anos de legislatura ao IRC das empresas e nos dois anos seguinte à descida do IRS para as famílias. 

"A única questão que está aqui é se é primeiro o IRS ou se é primeiro o IRC que desce. Aquilo que é a nossa opção é entrar nos dois primeiros anos com a redução do IRC, porque são as empresas que criam os empregos e pagam os salários e nós queremos melhores empregos e melhores salários, e de seguida, naturalmente, a descida do IRS. Portanto, dentro da legislatura há a descida dos dois", clarificou. 

Já sobre a TAP, Rodrigues dos Santos limitou-se a dizer que "deve ser privatizada" e Rio assumiu o mesmo compromisso caso seja governo. Portanto, a garantia está dada: se houver um governo de direita depois de 30 de janeiro, a companhia aérea vai ser privatizada. 

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"A TAP é uma vergonha. Acha que a TAP fica neste estado a sangrar permanentemente as finanças públicas? Em vez de servir o país como um todo, não faz serviço público nenhum, só serve o aeroporto de Lisboa, abandona Faro, abandona o Porto, abandona as regiões autónomas. Isto não tem sentido nenhum", justificou o presidente do PSD. 

Acrescentou ainda que a companhia aérea foi "um sugadouro ao longo de muitos anos" que o governo PSD/CDS decidirem "e bem" privatizar. "O doutor António Costa mal chegou tratou logo de fazer o primeiro erro, que foi nacionalizar, parcialmente, na altura, e agora por força disto tudo nacionalizou completamente". 

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