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Diretor da CNN Portugal

Tudo ou nada

10 jan, 12:29

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Rui Rio estará “picado” esta semana ou vai surgir de mansinho no decisivo frente-a-frente com António Costa?  Com pouca campanha na rua (previsivelmente) as eleições jogam-se na televisão e Costa, até agora, não cumpriu apenas um guião sem erros. Leva a lição estudada, coloca o foco nos pontos essenciais de acordo com o oponente, exibe uma gravitas de quem exerce o poder. Sim, tem pontos fracos, assim os adversários os saibam explorar com inteligência e acutilância, como fez por exemplo Francisco Rodrigues dos Santos, melhor em versão CDS clássico que em modo pisca-a-pisca.

Rui Rio começou titubeante para todos os analistas e, gerando unanimidade nesse aspeto, não podem estar todos enganados, mas melhorou a performance nos dois últimos confrontos. Rio, no entanto, tem uma dimensão política e sobretudo pessoal que escapa e irrita a intelligentsia da análise política doméstica: ele dirige-se às pessoas, é desconcertante e muitas vezes politicamente incorreto. Todas essas características, vistas como defeitos são, como o seu percurso prova, fatores agregadores junto do eleitorado mais popular e tradicional. Esse Rui Rio, que é uma pessoa como as outras, nunca apagou o tecnocrata das contas em dia e do trabalho de casa. Foi assim na Câmara do Porto, não tanto no PSD, e ainda não sabemos se será assim no país.

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No debate de quinta-feira, que tem uma audiência estimada de três milhões e meio de pessoas – mais do qualquer jogo de futebol decisivo da Seleção Nacional -,  o líder do PSD tem que tomar a iniciativa, se quiser vencer. Identificar as diferenças antes das semelhanças entre os dois projetos políticos, afirmar-se como um chefe e não se apresentar nunca como muleta.

Para António Costa um empate é uma vitória. A tentação de jogar pelo seguro e enredar o adversário será grande. Ainda assim, Costa sabe que o que falhou em 2015 nas urnas e alcançou com a sua notável arte política e depois atingiu timidamente em 2019, só pode ser atingido agora com uma performance excecional. Com mais de 40 anos de combates políticos este é o mais importante de todos. Vai estar ao ataque e, ao ataque, pode ser letal para o adversário.  

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