Rui Pinto assume que entrou na caixa de correio do procurador "benfiquista" Amadeu Guerra

31 out, 10:31
Rui Pinto

Hacker português está esta segunda-feira em tribunal para responder às questões do coletivo de juízes sobre os acessos à Procuradoria-Geral da República

Rui Pinto voltou esta segunda-feira a tribunal para responder às questões do coletivo de juízes sobre os acessos à Procuradoria-Geral da República (PGR). Em declarações perante o coletivo, o hacker português explicou que, no momento dos acessos, estava em Budapeste e que "a forma de acesso foi, em concreto, a caixa de correio de Amadeu Guerra".

"O método foi o mesmo utilizado para aceder a sociedade de advogados", afirmou, garantindo que "não queria entrar no site da PGR", uma vez que "o interesse que tinha era no DCIAP.”

Rui Pinto explicou ainda que a revista Sábado publicou um artigo que o ligava aos emails do Benfica, "que revelava mentiras baseadas em fontes judiciais", e que por causa desse artigo, que "falava de tentativas de extorsão ao Benfica e ao Sporting", começou a receber "mensagens de morte no Facebook". 

"A fonte judicial [desse artigo] podia ser um inspetor da PJ ou alguém no DCIAP, então o meu foco voltou se para o DCIAP”, explicou.

Para tentar descobrir quem era a fonte, Rui Pinto entrou na caixa de correio do procurador Amadeu Guerra e leu "vários emails dele" para tentar "perceber quem era a fonte no DCIAP". "Mas não consegui lá chegar. Amadeu Guerra era adepto benfiquista e os processos onde era suspeito tornaram-se a prioridade para a sua equipa”.

O hacker português esclareceu ainda que não acedeu à rede da PGR, "as pessoas que colaboravam no Football Leaks é que acederam", garantindo ainda que os "documentos foram extraídos da caixa de correio do procurador e não da rede da PGR”.

Perante o tribunal, Rui Pinto assumiu ainda que teve acesso, um ano antes, aos factos que constam na acusação, em 2017, e a documentos relativos ao processo onde o próprio estava envolvido.

Já sobre os processos Tancos e Operação marquês, o hacker assume que os obteve através da caixa de correio de Amadeu Guerra: “Se são processos mediáticos, por curiosidade, pode-se ler ou não. Há uns que que li outros que não".

Rui Pinto disse ainda que, a partir de 2016, "o site do Football Leaks não partilhou documentos" porque a sua "prioridade passou a ser a colaboração com os consórcios de jornalistas e as autoridades".

"Ia acabar com as pesquisas porque estava a colaborar com as autoridades francesas antes de ser detido. Em fevereiro 2019 iria para território francês", afirmou.

Questionado porque não quis colaborar com as autoridades portuguesas quando foi detido, uma vez que demonstrou vontade de colaborar com as autoridades francesas, Rui Pinto diz que "não confiava nas autoridades portuguesas".

“Na altura recebi muitas ameaças. Não me sentia seguro a vir para Portugal. Não confiava nas autoridades portuguesas", afirmou.

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