«Ser adjunto do Sá Pinto é um orgulho, mas quero ser conhecido como treinador principal»

28 jul 2025, 09:38
Rui Mota (Foto: DR)

Na terceira e última parte da entrevista ao Maisfutebol, Rui Mota admitiu ver Ricardo Sá Pinto como mentor, falou do «sonho» de ter sido campeão e reforçou, ainda, a ambição de ser treinador principal no futebol português

O nome de Rui Mota é muitas vezes associado ao «antigo adjunto de Sá Pinto». Isso, para o técnico de 46 anos não o incomoda, pelo contrário, até o orgulha. No final de contas, Ricardo Sá Pinto é um género de mentor, como confessa em entrevista ao Maisfutebol

Na última época pelo Noah, da Armênia, venceu os primeiros títulos como treinador principal - Liga e Taça da Arménia. Isto, como confessa, foi o culminar de um «sonho». Entre sonhos, Rui Mota tem também um objetivo claro: treinar em Portugal. Um passo que assume querer dar com cautela. 

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PARTE I: «Rui Mota: Ludogorets? Quando ganhas há 14 anos consecutivos és o alvo a abater»

PARTE II: Rui Mota: «Ser treinador principal tem superado as minhas expectativas»

 

Olha para Ricardo Sá Pinto como um género de mentor?

Claramente. Eu tive vários anos com ele. Na altura, o Ricardo estava há pouco tempo enquanto treinador, portanto crescemos os dois em conjunto. Foi para mim uma pessoa importantíssima no meu desenvolvimento enquanto treinador. Permitiu-me sempre fazer parte das reflexões, e sem ter tido esse espaço para meter as [mãos na massa] não seria  possível estar onde estou hoje. Essa passagem para mim foi determinante. Estou-lhe muito grato e ele sabe disso.  

Já tinha ganho títulos com o Sá Pinto, mas venceu o primeiro como treinador principal na época passada. A que soube o primeiro troféu?

O primeiro é sempre aquele título que nunca nos vamos esquecer. Ninguém se esquece de nenhum, mas o primeiro acaba sempre por ser especial. Fiquei muito feliz porque acabou por ser o realizar de um sonho que tinha, que era poder ganhar uma competição nacional. Foi ver toda uma caminhada chegar a bom porto. Mas já sabemos como o ser humano é, foi o primeiro mas agora queremos o segundo e depois do segundo o terceiro. Acaba por ser isso que nos move e que nos entusiasma. 

É conhecido como o antigo Adjunto de Sá Pinto. Já está na hora de Rui Mota ser conhecido pelo próprio nome?  

Não tenho qualquer tipo de problema de ser conhecido como o adjunto do Sá Pinto, pelas razões que já disse. Tivemos vários anos em conjunto, alcançamos também resultados muito bons. Hoje em dia continuamos a ter uma relação de irmandade muito grande. Para mim, ser conhecido como o adjunto do Sá Pinto é um orgulho enorme, mas como é obvio quero também ser conhecido como o treinador principal. É por isso que estou aqui e é por isso que estou a trabalhar para levar essa bandeira mais além. Aquilo que quero no futebol é ter sucesso e deixar a minha marca.

Este mercado recebeu alguma proposta ou alguma abordagem de um clube de Portugal? 

Tive, tive, sim senhor.  Não vou revelar qual por uma questão de respeito, até porque não se concretizou. Até tive mais do que um, mas achei que não era por aí. Foi uma decisão minha. Tenho claramente a vontade de treinar enquanto treinador principal no futebol português, mas tenho de dar os passos certos para que isso se concretize para quando o fizer faça de uma forma sustentada.

Acredita que o regresso a Portugal pode estar para breve ou num futuro mais distante? 

O futebol é o momento, o futebol é o presente. Portanto tenho noção que, consoante as coisas me corram aqui, será mais rápida ou menos rápida, a verdade é essa. Quanto mais sucesso nós tivermos, com mais facilidade aparecem aqueles projetos e aqueles contextos que nós também queremos e achamos que são os melhores para nós. Tenho essa ambição e essa vontade [treinar em Portugal], mas também tenho de sentir que é o contexto e o projeto certo para mim. Agora estou completamente focado neste novo projeto para depois poder escolher o que é melhor para a minha carreira. 


 

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