TAP vai operar menos sete rotas a partir do Porto. Presidente da Câmara diz que é "péssimo para a região"

Agência Lusa , BC
2 abr, 13:32

TAP vai oferecer menos 705 mil lugares a partir do Aeroporto Francisco Sá Carneiro. Autarca portuense diz que é "tempo de juntar esforços" para evitar que a TAP diminua presença no Norte do país

 O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, acusou este sábado o Governo de querer transformar a TAP numa “companhia regional” para servir o ‘hub’ de Lisboa e a transportadora de “abandonar mais uma vez” o aeroporto Francisco Sá Carneiro.

Em declarações à Lusa, Rui Moreira considerou “péssimo para a região” a diminuição de rotas da TAP a partir do Porto, considerando que é “tempo de juntar esforços” e lançou o repto ao PS/Porto para que “puxe dos galões” e diga se é ou não cúmplice da opção da TAP de diminuir a presença no Norte do país.

Para o autarca portuense, os portugueses têm que pensar “se se sentem bem” em “pagar a fatura” para que o Governo transforme a TAP numa “companhia regional” para servir Lisboa, lembrando o custo o erário publico que a transportadora aérea representa.

Na edição deste sábado, o Jornal de Noticias dá conta que face ao verão de 2019 a TAP vai operar menos sete rotas e oferecer menos 705 mil lugares a partir do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, ao contrário das principais companhias internacionais que reforçam a presença a partir do Porto.

“Reajo [à diminuição de rotas e lugares] com muita preocupação, isto é péssimo para a região, para a cidade, numa altura em que precisávamos que as companhias aéreas, e a TAP em particular, estivessem a atuar mais e a oferecer mais rotas a partir do aeroporto Francisco Sá Carneiro”, afirmou Rui Moreira.

No entanto, o autarca apontou que “nada disto” o admira: “Eu tenho vindo a afirmar, há muito tempo, que o único propósito do Governo é transformar a TAP numa companhia regional para servir o ‘hub’ de Lisboa e Vale do Tejo”, disse.

“A questão diferente é se todos os portugueses se sentem bem em pagar a fatura desta empresa que, de facto, só serve Lisboa e Vale do Tejo como se fosse uma empresa de transportes regionais”, declarou.

O autarca salientou que “agora é tempo de juntar esforços” e, referindo que o “interesse público não se esgota em Lisboa”, Rui Moreira lançou o repto ao PS/Porto para “puxar dos seus galões e dizer se concorda com isto, se é cúmplice desta situação ou se está disposto a fazer barulho”.

Rui Moreira considerou ainda que ao financiar a TAP com quatro mil milhões de euros se está a “criar aqui uma distorção no mercado” porque se está a “subsidiar uma companhia que tenta atrair para Lisboa” rotas que de outra maneira viriam para o Porto.

“Há aqui um efeito de dupla indução, por um lado TAP não vem ao Porto, por outro lado está a subsidiar o transporte ao aeroporto de Lisboa, como é evidente, e estamos, portanto, a reduzir a competitividade do nosso aeroporto e a limitar também as companhias aéreas que gostariam de vir ao Porto e que poderiam vir, não fosse essa concorrência desleal”, alertou.

Moreira, além do alerta e do repto para que o parlamento discuta a questão da TAP, deixou um desejo.

“Eu espero também que as pessoas do Norte que percebam que o ‘hub’ Lisboa, da forma que está a ser feito, é altamente prejudicial à nossa economia e que também procurem através disso escolher alternativas e também que façam as suas escolhas”, disse.

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