Incitamento ao ódio: PJ faz buscas ao presidente da câmara de Albufeira eleito pelo Chega

25 mar, 11:23
Rui Cristina (Miguel A. Lopes/Lusa)
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No mandado de busca, emitido pelo Ministério Público de Évora, é ordenada a apreensão para clonagem de suportes digitais na câmara

A Polícia Judiciária está na manhã desta quarta-feira a fazer buscas na câmara de Albufeira - sendo o visado da operação o novo presidente da autarquia, Rui Cristina, eleito pelo Chega, apurou a CNN Portugal. 

Em causa, suspeitas de crimes de discriminação racial e incitamento ao ódio, tendo por base declarações do autarca em assembleia municipal - relacionadas com habitações para elementos da comunidade cigana.

No mandado de busca, emitido pelo Ministério Público de Évora e a que a CNN teve acesso, é ordenada a apreensão para clonagem de suportes digitais na câmara - nomeadamente computadores onde a PJ procurará trocas de mensagens e emails trocados por Rui Cristina que tenham relevância para o processo.

Em causa estão também as declarações, de novembro, numa assembleia municipal, em que Rui Cristina disse que não ia gastar dinheiro em habitações para ciganos.

André Ventura fala em intimidação

O líder do Chega, André Ventura, condenou as buscas na Câmara Municipal de Albufeira, liderada pelo seu partido, e acusou as autoridades de usarem “poderes policiais e coercivos para intimidar um representante do povo”.

“O que aconteceu hoje é, a todos os títulos, lamentável. As autoridades portuguesas usaram os seus poderes policiais e coercivos para intimidar um representante do povo que tinha afirmado - e bem - que não continuaria a dar mais casas sociais para ciganos”, referiu.

Numa publicação na rede social X, André Ventura indicou que esse é o “programa político” do Chega e salientou que o partido é a “segunda maior força nacional” e tem “o dever de cumprir” aquilo que prometeu.

“Confirma-se apenas a realização de buscas no âmbito de um inquérito dirigido pelo Ministério Público do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) Regional de Évora, o qual se encontra em segredo de justiça”, adiantou a Procuradoria-Geral da República, em resposta à Lusa.

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